Malleus Maleficarum

Edição: 702 Publicado por: Marco Santos em 25/06/2020 as 08:09

 
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O Martelo das Feiticeiras

Este documento, escrito em 1487, autorizado por Bula Papal de Inocêncio Vlll, serviu de guia para que os inquisidores reconhecessem, capturassem e punissem bruxas na Alemanha.

Acabou sendo estendido a todo o mundo sob a égide da fé católica, não só territorialmente, como serviu a perseguição de todos aqueles que, de alguma forma estivessem aliados às feiticeiras, mesmo que tentando salva-las.

Foi um instrumento de defesa do poder papal.

Isto é História!

Presentemente, em um momento em que o mundo é volátil, instável, confuso e ambíguo, no qual é discutido o fim do poder ou, no mínimo, a dispersão do mesmo em mãos não apenas do Estado, de governos ou de autoridades constituídas, parece normal a ocorrência de choques e de uso de documentos legais para a manutenção de nacos de poder ainda em mãos de quem os detém.

Está acontecendo em todo o planeta.

Assim, os discursos se confundem.

A mesma argumentação é usada por grupos antagônicos de viés sinistro ou de direita. Símbolos são usados quase indistintamente. Palavras como verdade, lealdade, valores e princípios perdem seu significado original.

Isso confunde a massa, dividindo-a em incontáveis grupos e facções, graças as tecnologias de comunicação, e provocando inevitáveis conflitos.

Esses encontros de circunstâncias antagônicas, as vezes por pequenas nuances, derrubam ou impõem governos de diferentes matizes e orientações ao redor do mundo.

A administração das crises advindas é complicada e requer liderança política preparada e identificada com anseios de bem comum das maiorias, sem destruição de minorias, claro.

Talvez este seja o ponto fulcral da crise brasileira.

Estão as autoridades constituídas no Brasil, delegadas ou partícipes da gestão do Estado, naquilo que se convencionou chamar de governo, nos 3 Poderes, a altura de lidar com enorme gama de fatores disruptivos emersos neste momento histórico?

É preciso que o Martelo das Feiticeiras seja usado por mãos hábeis e magnânimas, de forma indistinta, quando necessário, em quantos ameaçarem a paz social, o alcance do bem comum e a solução da pandemia.

É preciso que o aparato jurídico nacional não seja o Malleus Maleficarum aplicado ao controle social brasileiro.

A verdade está, no momento, dissolvida em um caldeirão de poções mágicas, digno das bruxas de ficção, sem que o produto sirva para a cura dos males que afligem a sociedade.

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