É dia de feira!

Edição: 714 Publicado por: Carolina Fonseca em 16/09/2020 as 08:16

 
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Esta semana vou falar de sazonalidade. Respeitar o tempo da natureza e consumir alimentos da estação, ou sazonais, é ter em casa produtos diversos a cada época específica do ano, mais saborosos, mais suculentos e com mais nutrientes. Deveria ser a maneira natural de encontrar frutas, verduras, legumes e grãos nos pontos de venda.

Com o avanço tecnológico, hoje em dia temos à nossa disposição alimentos padronizados durante quase o ano todo. Você sempre vai conseguir comprar maçã, laranja, batata, tomate, cebola e alho no supermercado, por exemplo. Novas técnicas agrícolas e uso de substâncias químicas substituíram os conhecimentos tradicionais, a chamada ‘Revolução Verde’. picture00051.jpg Olhar Saudável | Berg Silva (Foto: Olhar Saudável | Berg Silva)

Neste cenário, a monocultura foi impulsionada, visando facilitar a produção em larga escala, principalmente para exportação. De olho no lucro, os latifundiários exploram a terra para comercialização e perdemos em relação ao respeito à sociobiodiversidade e à saúde. O que antes era passado de geração para geração, na agricultura familiar, ganha outros contornos.

Atualmente a maioria de nós nem sabe mais quando uma fruta está na época. E o conceito de sazonalidade para escolher o que vai pra mesa muitas vezes nem é levado em conta na hora de fazer as compras. Se cada alimento fresco tem época certa de cultivo e colheita, esse fator tem impacto direto na qualidade, no sabor e também do preço.

Ter a prática de comprar nas feiras livres é um bom modo de começar uma reeducação alimentar. Especialmente ser forem feiras orgânicas. Mesmo nas feiras livres tradicionais você pode notar que os alimentos em maior quantidade e mais baratos são os alimentos da época. Uma vez que estão sendo cultivados na estação certa, a colheita é mais generosa.

Nas feiras orgânicas tudo é sazonal. Você pode não encontrar alho, mas dar de cara com tomates de todas as cores e sabores, batatas-doces de cor laranja, cenouras roxas e diversas PANCs (plantas alimentícias não convencionais) - como peixinho da horta, ora-pro-nóbis, beldroega, taioba e flores comestíveis (para citar as mais encontradas por aqui). picture0004.jpg Foto: Olhar Saudável | Berg Silva

Enquanto a produção orgânica respeita as especificidades de cada estação, tendo no inverno uma colheita mais abundante para certos produtos; o inverso acontece com as monoculturas, cuja melhor época é o verão, pois propicia um crescimento ainda mais rápido dos alimentos – e que não sofrem tanto com o calor por utilizar sementes transgênicas, mais resistentes.

Ou seja, de um lado temos os alimentos da agricultura tradicional, com produção orgânica de base agroecológica, no sistema de policultivo com rotação de terras (onde o cultivo de um tipo de alimento contribui e complementa a produção de outro) e adubos orgânicos, onde o que vai para a mesa são os alimentos sazonais, mais nutritivos, saborosos e sustentáveis.

Do lado, temos os produtos da agricultura convencional, resultado do agronegócio voltado principalmente para o mercado externo (exportação), com produção no sistema de monoculturas, visando a exploração da terra e ofertando alimentos cultivados em escala industrial, com sementes híbridas e muito veneno (agrotóxicos e adubos químicos).

Resumindo: com o avanço do agronegócio, deixamos de comer alimentos para comer mercadorias. Produção de comida de verdade é fruto da agroecologia: tem foco no mercado interno e local, usa tração animal e sementes crioulas (variedades adaptadas e preservadas por agricultores familiares e bancos de sementes), respeita quem produz e quem come.

Para ficar ligado em conteúdo sobre comida de verdade, agroecologia, produção orgânica, responsabilidade socioambiental e tudo o mais que permeia esses temas, sugiro esses perfis no Instagram: @slowfood.brasil, @institutomaniva, @ojoioeotrigo, @olharsaudavelrio, @aliancaalimentacao, @chefsnafeira, @comermudaomundo e @comidadoamanhã.

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