Todo o poder emana do povo...

Edição: 716 Publicado por: Carolina Fonseca em 30/09/2020 as 09:06

 
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Estou pesquisando para saber qual o panorama do desenvolvimento rural sustentável no município e arredores, para entender se o cidadão valenciano tem opção, caso queira escolher produtos frescos sem veneno; carne ou leite de melhor qualidade, resultado de abate humanitário; ou os famosos ovos de galinhas felizes, mais saudáveis e saborosos.

Entre as inúmeras vantagens do cultivo sem agrotóxicos, estão a preservação do meio-ambiente (evita a erosão e protege os mananciais...), a economia de energia (produção manual) e a movimentação da economia local. Os alimentos são mais saborosos e nutritivos, pois são produzidos em solos sem contaminação e enriquecidos com adubos naturais. picture00133.jpg Foto: Olhar Saudável | Berg Silva

E qual a relação da qualidade da carne com o bem-estar animal? O bem-estar envolve cinco manejos: nutricional, ambiental, sanitário, comportamental e psicológico. O estresse pré-abate, por exemplo, influencia no produto final e pode resultar numa carne inferior, com alterações nas características visuais (cor, estrutura e perda de líquidos) e no sabor.

É sabido que galinhas criadas soltas, sem o estresse do confinamento, podem ciscar à vontade, dormir no poleiro e ‘namorar’. Elas não recebem antibióticos ou remédios. Mas nem todos sabem que produzem ovos mais vitaminados: o dobro de ômega-3, 38% mais vitamina A e 23% mais vitamina E (dados de estudo da Universidade do Estado da Pensilvânia, 2010).

Enquanto eu tento descobrir o cenário da produção sustentável da região (tarefa árdua!), vou fazer uma digressão e abordar um importante evento anunciado na última semana: o Terra Madre Brasil 2020. Comandado pela organização Slow Food Brasil, que já mencionei antes por aqui, tem como parte de sua missão provocar mudanças no sistema alimentar.

Na defesa de alimentos bons, limpos e justos para todos, o Terra Madre (ou Mãe Terra, em português) está na sua terceira edição nacional e, por conta da pandemia, oferece pela primeira vez um evento 100% online, com conteúdo riquíssimo. São rodas de conversa, oficinas, espaços educativos dedicados à cultura alimentar e até instalações artísticas.

O que mais me interessou na programação foi o Mercado Terra Madre Brasil 2020 e seu Mapa Interativo. Eles prometem mapear as Comunidades Slow Food, as cooperativas da Agricultura Familiar e os empreendimentos coletivos ligados às Indicações Geográficas das cinco regiões brasileiras para descobrirmos onde encontrar os melhores produtos. picture00141.jpg Foto: Olhar Saudável | Berg Silva

O próprio movimento Slow Food desenvolveu um mapa colaborativo no início da pandemia, para conectar quem produz de quem consome. Foi criado um formulário para cadastro das iniciativas para posterior publicação no mapa, que tem acesso público. Você encontra essa pérola procurando na web por *mapa colaborativo COVID-19 - Slow Food Brasil*.

São quatro categorias no mapa: Ações do Slow Food, Ações de Solidariedade, Restaurantes/Negócios Locais e Produtor(a)/Cooperativa/Grupo de Consumo. Um trabalho maravilhoso e, inclusive essa ação usou ferramentas da Google tanto para o cadastro quanto para montar o mapa. Ou seja, zero mistério...

Fica, digamos, um tanto cansativo quando instituições governamentais, com tantas agências, empresas, secretarias, conselhos etc. não conseguem nos fornecer dados simplificados e imediatos em plena era da informação... A transparência ainda precisa ser muito trabalhada para que possamos alcançar soberania alimentar, entre tantos outros direitos.

Minha missão é seguir pesquisando, um verdadeiro trabalho de patchwork, na esperança de que essa minha saborosa e saudável colcha de retalhos possa trazer informação de qualidade tanto para quem produz, quanto para quem consome. A propósito, o Terra Madre acontece de 17 a 22 de novembro com inscrições pelo site https://terramadrebrasil.org.br/.

 

Você sabia???

A soberania de um povo é um conceito onde o Estado é criado e sujeito à vontade das pessoas, que são a fonte de todo o poder político. Está sacramentado no parágrafo único de nossa Constituição Federal “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.” Um povo para ser livre, precisa ser soberano e essa tão sonhada soberania passa pela alimentação.

Soberania alimentar é o direito dos povos de produzir seus próprios alimentos. Ou seja, consumir alimentos respeitando suas próprias culturas e os saberes tradicionais de produção, de comercialização justa e de gestão, nos quais a mulher desempenha um papel fundamental.

 

Saiba mais:

Soberania alimentar é “[…] o direito dos povos definirem suas próprias políticas e estratégias sustentáveis de produção, distribuição e consumo de alimentos que garantam o direito à alimentação para toda a população, com base na pequena e média produção, respeitando suas próprias culturas e a diversidade dos modos camponeses, pesqueiros e indígenas de produção agropecuária, de comercialização e gestão dos espaços rurais, nos quais a mulher desempenha um papel fundamental […]. A soberania alimentar é a via para se erradicar a fome e a desnutrição e garantir a segurança alimentar duradoura e sustentável para todos os povos”. (Fórum Mundial sobre Soberania Alimentar, Havana, 2001).

 

Segurança Alimentar e Nutricional é a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde, que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis. (II Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, 2004; LOSAN [Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional], 2006)

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