PUBLICIDADE Assine Anuncie_edital

Comentário

por José Antonio do Nascimento
Parabenizo o sr. Ney Fernandes, ilustre valenciano que tive oportunidade de conhecer há alguns anos, pelo excelente artigo “E a crise?”, publicado aqui no JL em 13/10/2011. Desejando acrescentar:
E concordo plenamente que as crises no capitalismo sejam constantes, portanto, cíclicas. Mas, agora, elas estão se encurtando. O período entre as crises é menor.
Entendo que o abandono da economia keynesiana (John Maynard Keynes 1883-1946) pelos EUA, União Européia e Reino Unido seja a causa principal dessas crises. Enquanto o “new deal” americano, o “estado de bem estar” europeu, que mantiveram por cerca de 20 anos a economia mundial sem crises, foi o estopim final da debacle econômica. A opção pelo neoliberalismo de Friedrich Hayek (1899-1992) pelos EUA, União Européia e Reino Unido, em que esses estados criaram um modelo econômico de crescimento com base no endividamento do estado e o modelo de crescimento orientado por exportações globais, no qual Brasil, Argentina e Indonésia são os provedores chave de recursos naturais e a China como base industrial, vêm levando a cabo esta desorganização econômica mundial. O primeiro modelo está em crise num impasse sem saída; o segundo, depende do primeiro. Ou seja, depende, para funcionar, de uma forte demanda dos EUA, União Européia e Reino Unido. Logo, estes que estão numa crise financeira imensa, então, como ficará essa demanda?
A crise atual faz a população mundial ficar temerosa com a insegurança. E a principal delas é a insegurança no trabalho. Se 20% da população ativa mundial, segundo os neoliberais, bastam para garantir o ritmo da produção mundial, os outros 80% de desempregados (“exército de reserva” de mão-de-obra neoliberal) pressionariam o mercado de trabalho para que aqueles, empregados, não fizessem greves para aumento de salário, sindicatos fechariam suas portas, e não haveria o perigo da inflação. Ora, com isso, estamos diante de uma profunda dicotomia entre os mais ricos e os mais pobres. O estado mínimo neoliberal está enfermo.
Ele que era o grande impulsionador da economia foi substituído pelo “mercado” neoliberal, que também não consegue alavancar a economia global. Enquanto no “new deal” americado e no “estado de bem estar social” europeu as populações tinham assistência médico-odontológica, famacêutica, previdência social, segurança no emprego, segurança pública, digamos, uma série de ”humanidades”, a custo zero para elas, hoje, não existe mais. Ou seja, o cidadão tem de pagar por tudo isto e bem pago! Mesmo aqui no Brasil, sopravam ventos bons nessa área. Hoje, vemos o nosso estado constituindo as PPP – parcerias públicas privadas – e terceirizado. E o que acontece na prática? Uma transferência enorme de recursos públicos para os setores privados da economia, com muito pouco retorno.
Na economia mundializada (segundo os franceses) não vemos mais a salutar concorrência dos negócios. Vemos a lei do mais forte, corporações “engolindo” outras. Fusões, monopólios, cartéis disfarçados e oligopólios. Daí este bolsão imenso de miséria pelo mundo afora, inclusive nos EUA onde há cerca de 120 milhões de necessitados. O Reino Unido e a comunidade européia estão sentindo na carne as consequências da falta das “humanidades”, que tinham um custo aceitável para o capital.
Isto vem gerando uma concentração de renda nas mãos dos mais ricos, em detrimento da maioria. Vêem-se as pessoas cada vez mais individualistas, querendo levar vantagem em tudo. Há uma distância imensa entre grupos sociais. Violência generalizada. Terrorismo. Banalização da vida humana. Impunidade geral. E o pior, a pena de morte nas mãos dos bandidos.