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Mangueira

por Leila Monteiro
Em João Pessoa, Paraíba, uma avenida de três quilômetros é toda arborizada com mangueiras. Lá, nem mesmo os proprietários de carros ousam pensar em eliminá-las.
Aqui em Valença, temos perdido muitas árvores; a mangueira do Beco da Mangueira, a Cácia Rosa do Colégio Benjamin Guimarães, parte das palmeiras imperiais do Jardim de Baixo e do Colégio São José, outra mangueira ali no estacionamento Carrão. Tudo bem. Umas ficaram doentes, outras “o vento levou”.
Valença já foi conhecida como cidade das chácaras e nelas, mangueiras e jabuticabeiras, mas como não existe, aqui, um tombamento de árvores significativas, elas vão sendo tombadas.
Agora, cortaram a mangueira que ficava na entrada do Mercado Municipal. E alguns dirão que está certo, pois o progresso precisa se instalar. A árvore tombada não prejudicava nem gregos nem troianos e poderia fazer parte do quase novo projeto arquitetônico que está sendo desenvolvido. Como árvore suja de folhas faz sombra que umedece e só serve p´ra cachorro mijar, melhor derrubá-la.
Cortar árvores desnecessariamente é anticultural e exemplo vivo de desrespeito ao Meio Ambiente. Depois, ficamos reclamando do fogo que lambe nossas terras e do calor que devora a grama verde das praças.
Um amigo da família diz existirem pessoas com a massa cinzenta menor do que caroço de azeitona, quando está inchada.
Quem pensou em cortar, quem permitiu o corte e quem cortou aquela mangueira deve fazer parte do grupo desses “cabecinhas”.
Lá no mercado ficou o caule que parece, em oração, pedir clemência aos céus, dizendo:
- Não cortem os paus-ferros do Jardim de Cima! Cuidado com a canforeira que existe lá! Piedade para as mangueiras do anexo do Instituto de Educação!