por Fábio Jorge (médico)
Evitando o caminho estreito da aventura política, deveríamos estar construindo um grande movimento de opinião pública para podermos restaurar uma cidadania, e, quando deveríamos jogar no lixo toda essa podridão que assistimos. Acredito, até ser possível reciclar desse entulho alguém. As perdas que estamos tendo no país e em Valença são imensas. Com essas perdas novos horizontes se estreitaram. A exclusão social aumenta e com ela o desemprego, o analfabetismo, a mortalidade infantil, a miséria, a violência. Podemos reverter esse quadro. Depende apenas não só da sociedade, bem intencionada, mas de uma classe política, com exceção, que vem há anos assistindo a degradação do Hospital José Fonseca; não fizeram nada, nunca se mobilizaram. Sou médico dessa entidade de saúde há 50 anos. Eu e outros colegas médicos temos e tivemos participação séria e competente. Por lá passaram administradores e provedores capazes e sérios, mas também administradores e provedores de reconhecida incompetência de gerir uma estrutura hospitalar. Esses últimos mencionados, são dotados de uma empáfia, de uma arrogância e se julgam acima do bem e do mal. Os funcionários ficam sem receber salários, passam por enormes dificuldades, e, quando reclamam, são rebeldes. A Prefeitura pode ajudar? Sim e deve. Entretanto, creditar aos prefeitos a responsabilidade é ser irresponsável. Ninguém pode repassar dinheiro público a quem não presta contas. O Hospital José Fonseca se tornou palco de participação de políticos, candidatos ou não as próximas eleições, de um ridículo a toda prova. Carregam faixas, sobem em palanques improvisados e fazem discursos estéreis e histéricos. Puro jogo de cena, pura promoção pessoal. A solução meus amigos, tem que vir de uma discussão maior, de uma instância superior, quando eles têm que sentar à mesa, descer de seu pedestal de vaidade e passar a discutir sem exigências um problema sério. Se a solução para o momento está na saída de diretor administrativo, de um diretor técnico (se é que assiste) ou até mesmo de um provedor, que saiam. Não sou intermediário do senhor prefeito, do senhor bispo, do senhor presidente da FAA, do senhor provedor do Hospital. Sou apenas um cidadão, médico, que ama e respeita sua terra, intermediando e visando na preservação de uma entidade secular, que atendeu e atende a municípios vizinhos e a sociedade valenciana. Respeitem essa estrutura hospitalar, mas antes se respeitem.