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Cachaça que gera riqueza e reconhecimento

Bebida resgata tradição local e pode fomentar ainda mais economia regional

por Diego Lobão
O gerente Denis Fabiano de Oliveira (Foto: Ricardo Reis)
Dados repassados pela Associação de Cachaças do Vale Histórico do Café apontam que Valença é o município com o maior número de alambiques da região. Organizados, os produtores buscam fortalecer o mercado e a tradição, através da oferta de produtos de qualidade. A bebida está gerando riqueza cultural e financeira, mas a população nem faz ideia de que a cidade tem grande potencial para exportação e para a geração de empregos neste setor.
A reportagem foi conhecer a Cachaçaria Santa Rosa e quem acompanhou a visita foi o gerente da fazenda, Denis Fabiano de Oliveira. Conforme informou, a cachaça Santa Rosa foi fundada em 1871 pelo visionário italiano Vito Pentagna, que importou um engenho de castelo da Inglaterra, a melhor fabricante de alambiques de cobre da época, e iniciou a produção da bebida. A cachaça é fabricada artesanalmente e é a única no Brasil produzida em alambique de cobre. O envelhecimento é feito, por vários anos, em barris de carvalho francês, onde somente o tonel pode chegar R$ 550,00: as propriedades deste reservatório acabam transmitindo sabor, aroma e cor à bebida assim armazenada.
Os vinte e cinco hectares de cana-de-açúcar utilizados na produção são plantados na propriedade. A produção pode chegar a cinquenta mil litros ano. Doze funcionários participam do fabrico, que dura três meses. Segundo Denis, uma cachaça de quatorze anos pode custar R$ 200,00. Uma das metas do alambique é abrir a fazenda para visitação. “Primeiros temos que qualificar os nossos colaboradores para que o turista possa receber um atendimento de qualidade”. Segundo ele, a marca possui pontos de venda em diversas capitais e, no momento, não está exportando, pois para isso, dentre outros fatores, é necessário produzir grandes quantidades.
A concorrência desleal é a principal dificuldade dos produtores legalizados. “Os alambiqueiros que não são legalizados podem vender mais baratos, porque não pagam impostos. Nós aqui pagamos vários tributos e mais as exigências impostas pelo Ministério da Agricultura”. Ele também faz um alerta para os apreciadores. “Eu aconselho as pessoas a comprarem garrafas com o selo do Inmetro”. O representante comercial da Cachaça Chacrinha, Wallace Fontes, diz que, ali, a bebida é produzida desde 1881 e vem de canaviais próprios, dornas de fermentação em aço-inoxidável e alambiques tradicionais. Wallace falou um pouco dos tipos de cachaça que são produzidas na fazenda. “Temos a cachaça Chacrinha Ouro, armazenada em tonéis de carvalho, e a Prata, descansada em aço-inoxidável”. Segundo ele, ao se degustar ambas as bebidas, se torna possível distinguir produtos extremamente personalizados. Continue lendo no Jornal Local.