PUBLICIDADE Assine Anuncie_edital

Funcionários da Usival entram em greve

Eles querem reajuste pela perda da inflação e o retorno do cipeiro

por Paulo Henrique Nobre
José Antônio (Tuim), funcionário e representante do sindicato, mobiliza categoria e critica empresa (Foto: PHN)
Os trabalhadores da empresa Usival pararam por tempo indeterminado. Eles entraram em greve por conta do reajuste dado pelo empresário que, segundo a categoria, não cobre nem a perda inflacionária. Os trabalhadores, com apoio do sindicato da categoria, tentaram diálogo com os diretores da Usival, mas não conseguiram dos mesmos, melhorias aceitáveis na proposta. A empresa, segundo o sindicato, já é notória por dificultar a negociação e, agora, chegou ao cúmulo: a demissão, sem justa causa, do cipeiro.
O Jornal Local acompanhou uma das assembleias, realizadas com a turma da manhã. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas dos Municípios de Barra do Piraí, Valença, Mendes, Vassouras, Engenheiro Paulo de Frontin e Piraí (RJ), que acompanha as negociações naquela fábrica, aproximadamente 150 dos mais de duzentos funcionários da Usival estão na luta por um reajuste aceitável. Segundo Valmir Braga, presidente do sindicato, de todas as campanhas salariais realizadas nas diversas empresas de metalurgia do município, as da Usival são sempre as mais difíceis. Com INSS e FGTS atrasados, a empresa queria dar um reajuste muito baixo, na avaliação dos trabalhadores: 5% para quem recebe até R$ 1 mil; e 4% para quem recebe acima de R$ 1 mil. Mesmo assim, jogando o reajuste para setembro.
Para o sindicato, a proposta é muito ruim, pois não corrige nem a perda inflacionária, que foi de 7,7%. Segundo Glauber Luis Vieira Neves, diretor do sindicato, a categoria entrou em estado de greve por conta de atitudes arbitrárias do empresário, como a demissão do representante eleito para a CIPA, José Carlos Ferreira (biênio 2010/2011). Era este trabalhador que representava os colegas nas situações de prevenção de acidente e é um dever legal de cada empresa mantê-lo e observar suas orientações. A CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) tem suporte legal no artigo 163 da Consolidação das Leis do Trabalho e na Norma Regulamentadora nº 5 (NR 5), aprovada pela Portaria nº 08/99, da Secretaria de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego. A NR 5 trata do dimensionamento, processo eleitoral, treinamento e atribuições da CIPA.
“Como o cipeiro tem uma dificuldade muito grande aqui dentro da Usival, porque a empresa não tem as condições sanitárias dignas, não tem as condições do chão de fábrica dignas, acaba se expondo um pouco mais: a empresa quer eliminar o cipeiro, para calar os trabalhadores”, alegou o sindicalista. Outro problema a resolver é a PLR (Participação nos Lucros ou Resultados), cujo valor de 2011 ainda não foi negociado.
Em greve
Hoje, o salário mais baixo na empresa é de R$ 610,00, enquanto o piso-base da categoria no estado é de R$ 731,00. Na semana passada, o empresário se reuniu com o sindicato e apresentou uma segunda proposta: 5% para todos os funcionários. O novo reajuste não agradou os trabalhadores, bem como a notícia de que a empresa despediu, também, o funcionário do Controle de Qualidade. Por isso, a categoria decidiu na terça-feira (31/05) entrar definitivamente em greve a partir do dia seguinte, por tempo indeterminado, até que a Usival apresente nova proposta. A categoria defende um piso de R$ 800,00, mais cesta-básica de R$ 250,00 e alimentação na fábrica. Glauber ressalta que a empresa, como outras instaladas em Valença, tem isenção de ICMS, o que lhe permite dar mais dignidade ao trabalhador. Continue lendo no Jornal Local.