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A política é mesmo uma arte ou uma ciência

por Redação
A política é mesmo uma arte ou uma ciência, como crêem os filósofos? Mas é essa a mesma política que tanta repulsa gera no cidadão comum? É a mesma tradução? Segue o mesmo raciocínio?
O que sabemos, pelo que nos ensinam os livros, é que o termo nasce lá na Antiguidade Clássica. Na evolução do conceito de cidadania surge a política, no desenvolvimento das cidades-estados na Grécia e em Roma. Naquele tempo, séculos antes de Cristo, fundam-se as concepções que balizam toda a cultura do atual mundo ocidental. É daquelas priscas épocas que muita gente matou ou morreu para conquistar direitos e deveres que ampliassem o alcance da cidadania por classes e condições, relegadas desde sempre a coadjuvar, quando não muito, apenas figurar.
No nosso caso específico, iniciamos nossa história como colônia de um pequeno país (em extensão territorial), potência marítima de forte identidade agrária, chamado Portugal. O cidadão brasileiro, em que pese ser português ou descendente deste, começa sua vida econômica, nestas terras, cheio de deveres e escasseado de direitos. Para dar conta da expectativa, subjugamos outros povos que fizemos escravos, extinguindo destes quaisquer direitos. Com o tempo, e alguns séculos depois, o anseio de plena cidadania nos fez independentes, abolicionistas e mais à frente republicanos. Gradualmente, fomos conquistando os direitos que sempre carecemos e aprendemos a sempre querer mais. A política nesta terra de Santa Cruz, logo se pautou pela obtenção da cidadania marcada pelos direitos, enquanto, lá no canto obscuro, marginalizado, ficou e tem ficado por conveniência, os deveres. Na história do Brasil, inúmeras foram as vezes que, em nome de uma decantada liberdade, sacrificamos deveres básicos, suplantados por direitos urgentes e inadiáveis. Viramos uma Nação ruim dos freios e boa de aceleração, por mais fechada que seja a curva, somos pé embaixo.    
Hoje, temos o direito de votar, em nossos governantes, mas não nos sentimos no dever de cobrar lisura em suas ações. Hoje temos o direito a viver condignamente, mas não nos sentimos no dever de contribuir de alguma forma para nossas cidades. Hoje queremos nossos direitos em dia, queremos, mais ainda, briga com quem nos exigir cumprimento de nossos deveres mais elementares.
A política atrofiada que se construiu no país dos coronéis, do paternalismo assistencialista, da locupletação pelo Estado, do apadrinhamento das licitações de carta marcada e do compadrio das bocadas, vantagens e atenções não forjou somente os seres viventes da política. Forjou, também, infelizmente, um povo receptivo a tudo de errado que possa acontecer, desde que ele tenha direito a sua parte. Um favor, uma indicação, uma vantagem, um numerariozinho, um brinde que seja, engalana o indivíduo que passa a acreditar ser cidadão pleno de direitos e imunes de deveres. Encarando o que obtém como conquista de um jogo. Jogo perverso que tem consequências, que gera desequilíbrios.
Esta cidadania forjada na política que finge ser plena, influencia de sobremaneira a vida de nossas sociedades. Enquanto os governantes empenham-se, interessados muito mais em nosso voto, em cumprir seu dever de nos ampliar e conceder mais e melhores direitos - em geral mais representativos que efetivos – boa parte da população desintegra-se na sanha crença do individualismo do tudo posso, tudo quero, tudo necessito, tudo aceito, nada faço, nada contribuo, nada cobro, nada exijo, em suma, nada tenho a ver com tudo aquilo que possa demandar posicionamento, responsabilidade, exemplo, atitude e cumprimento dos deveres de cidadão.
Da indignação, sempre nasce uma esperança. Da indignação, sempre se levanta uma bandeira. Da indignação sempre, se planta vontade de transformar. E o que falta aos homens de bem? Falta voltar ao começo e quedar-se pela arte da política, pois a hora que estes se levantarem com vontade de ocupar seus lugares de direito, os ratos que infestam o Senado, as Assembleias, as Câmaras e os Executivos, por todo país, só terão uma opção: recolherem-se a fétida condição de ratos de verdade nas pueris e escuras galerias dos esgotos da Nação. Portanto, cidadãos de bem, levantemo-nos e ponhamos ordem, neste que é, seguramente, o país mais rico do mundo. Antes tarde do que nunca!