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Canal direto

por Redação
Os jornais do interior, pela proximidade que detém com a população de suas cidades, invariavelmente, assumem ação comunitária. À sua porta, ao seu telefone e ao seu e-mail acorrem reclamações de toda ordem. No fundo, no fundo, o jornal se transforma em canal direto com as autoridades por seu poder de tornar problemas pontuais e incômodos localizados, em problema de toda uma cidade, sob responsabilidade de uma gestão. A publicidade de um problema que se arrasta contribui para a solução competente e a satisfação cidadã. Mas o que hoje nos intriga é o por quê de tanta demanda. E mais, do ponto de vista de urbanidade, as intervenções, sempre tão pontuais, não contribuem para que as cidades do interior se desenvolvam como deveria ser - planejadamente.
O mau acabamento dos bairros periféricos revela, com gritante contundência, a vista grossa de seguidos governos que agiram sempre com omissão de sua função ordenadora e fiscalizadora. E isto em nome de uma ação social paternalista e irresponsável, voltada para nutrir uma máquina eleitoral safada e tacanha, permitindo-se toda sorte de irregularidades.
Nos centros urbanos, por sua vez, as gestões adiam seguidamente sua intervenção e, hoje, são visíveis problemas mais afeitos as grandes cidades. E da mesma forma que na periferia, as soluções vão sendo adiadas, pois, invariavelmente, as soluções envolvem vantagens individuais cristalizadas.
O jornalismo tende a ser voz dos prejudicados, mas, também, nunca deixará de ser apoiador de primeira hora de ações responsáveis e de planejamento integrado que garantam às nossas cidades, não só resoluções voltadas para o presente, como também indicativas de um futuro melhor para todos. Pois, hoje, infelizmente, o que vemos são máquinas governamentais incapazes de nos oferecer a ousadia de construir o futuro com qualidade e profissionalismo, pois que viciadas em serem medíocres e burocráticas quebradoras de galhos e socorristas das emergências, em ações sempre pautadas no ganho político e não na obrigação.