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Dança da política

por Redação
A dança da política tem feito parte do cardápio de conversas de nossas praças e esquinas. Tudo porque, sexta-feira, que passou, era o prazo para a ajeitação nos partidos. Em que pese mudanças pontuais, aquisições expressivas de lá e de cá, um novo partido típico dos nossos dias, o da conveniência do poder, e novas interpretações na itinerância dos prefeitos, no fundo no fundo, para nós eleitores, significativamente, nada muda.
Continuam os partidos menores que as individualidades. Continuam as individualidades desprovidas do conceito de grupo. Continuam os partidos como instrumentos burocráticos e manipuláveis aos interesses das individualidades que formam “grupos” fortemente hierarquizados e divididos entre elegíveis, coadjuvantes e figurantes. Os projetos sendo elaborados objetivando a vitória de uns contra outros. As cidades que deveriam ser o começo, o meio e o fim, estão resumidas a degraus de um intento mais particular que coletivo. Infelizmente, está tudo virado. Antes, formavam-se grupos locais baseados na afinidade das ideias e no reconhecimento da integridade como semelhança. E somente quando este grupo fosse consistente a ponto de inspirar admiração e respeito, pensava-se em eleições e apoios dos grandes nomes das esferas estaduais e federais. Agora, isso inverteu. São tão frágeis as composições locais, tão débeis em suas motivações, que busca-se, avidamente, o elemento externo para emprestar credibilidade. Lamentável teatro dos horrores. Ainda trocam de partido como quem troca de cuecas e nem satisfação dão. Ou seus partidários o seguem cegamente, ou que se danem. Ou teve alguma reunião aberta para se tratar das mudanças que aconteceram no apagar das luzes da semana limite que passou?
Provavelmente, eles como bons atores que são, incorporarão o discurso da necessidade da reforma política, numa verdadeira conversa para boi dormir. E nós como bom gado que somos, ainda não fomos capazes de perceber o quanto eles nos têm encurralado.
E a verdade é límpida. Enquanto não formos capazes de voltar a formar grupos políticos com quadros capazes de gerar lideranças sob a égide da instituição partidária, continuaremos a patinar nas incertezas das brigas políticas dos indivíduos.