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Educação

por Redação
O impasse verificado na Educação municipal é muito mais sério do que apenas uma disputa por tostões. Revela o aprofundamento de uma crise construída por governantes que posam de estadistas em todas as outras áreas, mas se limitam a ser tecnocratas quando o assunto é a Educação. A queda de braço com os profissionais de Educação de hoje, é resultante do achatamento histórico realizado em nome da massificação da instrução pública, sem contudo, gerar-se planejamento e prioridade. O resultado por todo país é o que se vê hoje: uma massa de profissionais mal remunerados, gerando uma Educação básica de qualidade duvidosa, quando não sofrível. No entanto, esta perversa equação cava, aos poucos, o abismo que obrigará estadistas e tecnocratas a reverem suas contas. A galopante desvalorização do profissional educador está produzindo a fuga de talentos e vocações do magistério. Poucos são os que ainda insistem numa profissão que lhe promete ganhar menos do que todas as outras profissões e, em muitas cidades, menos do que carreiras funcionais sem formação superior. E o que dizer das humilhações com a crescente falta de condições de trabalho, com a latente rebeldia do alunado e o intenso esvaziamento da competência das direções.
Pois bem, segundo fontes da Fundação Educacional Dom André Arcoverde, neste ano, é provável que não se forme turma de primeiro ano nos cursos de História, Letras e Matemática. Cursos, diga-se de passagem, que obtiveram significativas avaliações do Ministério da Educação. Esta constatação permite certificar-se que a crise não é da instituição de ensino, mas da conjuntura que desmerece, não é de hoje, o diploma de quem se arrisca a dar aulas. Sinal dos tempos, alerta para os que almejam o poder, esperança para os que resistem no sonho de imaginar-se ser professor respeitado e bem remunerado. Está na cara, não demorará muito a acontecer, se escassearão os professores, consequência que nos levará, obrigatoriamente, a reconstrução nas planilhas e projetos de governo do peso do profissional educador.  
Nesta travessia, a sociedade precisa acordar e rever seu papel de cliente, a quem se destinam os serviços públicos. Precisa levantar-se de sua posição de assistir, comodamente, como se os desígnios do bom ou do mau ensino, não lhe coubesse influir. Precisa compreender, enfim, que a Saúde pode lhe salvar a vida, mas, à Educação, cabe gerar o verdadeiro futuro de seus filhos e netos. A sociedade precisa dar-se conta da injustiça perpetrada contra a classe que caberá a responsabilidade de nos alçar ao futuro, ou alguém pensa que os "Tigres Asiáticos" rendem seu sucesso econômico a bons políticos e a bons médicos. Lá estes têm sua parcela de importância, é claro, mas foi graças à crença e investimento na Educação que se construiu os fortes alicerces de nações a que assistimos admirados, como se aqui fosse impossível o mesmo milagre.
Será, provavelmente, se continuarmos a somente reproduzir o modelo que aí está, de manter a Educação de nossos munícipes como uma obrigação. Se continuarmos a, antes de entendê-la uma oportunidade transformadora de nossos seres, vê-la apenas como corriqueira necessidade de cumprir papel menor, tarefa sem comprometimento, dever burocrático, encaixe de orçamento, economia de recurso e função por obrigação. Se continuarmos a fingir que a escola está bem, que o professor está estimulado e determinado a cumprir seu papel e que o Estado está imbuído das melhores intenções, acerca de resultados e índices. Se continuarmos a fingir que acreditamos que tudo se resolve sem nossa efetiva participação. E se continuarmos a considerar nosso voto uma procuração em branco e nossa ausência dos conselhos municipais e das manifestações públicas algo normal, eis que dispensável. Estaremos fadados a este panorama que já se revela de fazer parte da estatística de cidades atrasadas, de população despreparada para as contemporâneas oportunidades de trabalho e de povos incultos, mal educados e facilmente manipuláveis. É isso que queremos? Estamos satisfeitos?
Até quando continuaremos a enaltecer a Educação do passado, adiando a construção da Educação do futuro como se nosso destino devesse ser traçado por uma fatalidade absoluta e imutável? Até quando?