PUBLICIDADE Assine Anuncie_edital

“Estratégicas”

por Redação
Era só o que faltava. A crise em forma de greve das instituições de segurança pública assusta, nem tanto pela sensação de vulnerabilidade que advirá do ato extremo dos agentes públicos responsáveis, mais pela sensação de ruína das instituições, baseadas na hierarquia e na disciplina. As cenas de baderna e de ações “estratégicas” perpetradas pelos policiais baianos, em trajes civis e de arma em punho, na “greve” que tomou Salvador, são preocupantes e fazem supor o que resultará na cidade do Rio de Janeiro, onde, sabidamente, muitos policiais e bombeiros possuem histórico de envolvimento com ações criminosas.
Porém, antes de dizermos que a greve em instituições militares é impraticável, pois que neste caso específico, por sua natureza armada, se traduz em motim ou revolta, reconhecemos que a vulnerabilidade da tropa para a atividade paralela, o “bico” que muitas vezes a leva para fileiras criminosas, é em sua essência resultado de anos de políticas de sucateamento da estrutura voltada para a formação, manutenção e desenvolvimento dos profissionais da área de segurança pública. O governo Sérgio Cabral baterá no peito para afirmar que concedeu melhorias salariais e abonos que ainda assim, provavelmente, pela ótica de quem se arrisca diariamente a morrer em serviço, não lhe devolveu a dignidade massacrada por anos de omissão em prol de projetos políticos, que só fizeram sugar recursos canalizados para formar  as fortunas  de mensaleiros de toda sorte da triste política fluminense.
Somos pelo bom senso. Acreditamos que melhor que a chantagem de ações grevistas que deixarão a sociedade sob o terror do medo, seria o estado de greve responsável com abertura de ampla discussão da sociedade com os governos acerca de valores intrínsecos de cada profissão. Seria a atuação informativa, onde se deixe claro não só questões de viabilidade econômica e orçamentária, mas, também, questões de justiça e de estabelecimento de políticas de mínimos de dignidade.
Enquanto políticos se locupletam viajando de helicóptero para cima e para baixo e aumentam seus patrimônios com suntuosas mansões. Enquanto desembargadores e juízes movimentam milhões.  Enquanto deputados e vereadores de todo país recebem vantagens por fora aos borbotões, impossível não reconhecer que policiais, bombeiros, professores e aposentados, sobretudo, por muito tempo já, têm sido, na verdade, humilhados, achincalhados, debochados, roubados e vilipendiados. É preciso reconstruir esta Nação de valores aviltados pela ganância de quem deveria ser exemplo e que são os verdadeiros culpados do Estado de coisas. O país está chacoalhado de malfeitores de terno e gravata. A revolta que se opera no seio dos policiais, embora imbuído de melhoria salarial, apenas, demonstra que a revolta contida na base da sociedade promete uma explosão a qualquer momento. Isto, caso não se opere, já, a verdadeira mudança da forma de pensar e conduzir o país, os estados e os municípios por parte das elites políticas e institucionais do Brasil, que, historicamente, adiam problemas cientes de que sacrificam gerações futuras, em favor de seus interesses econômicos e de poder.