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Exemplo contemporâneo

por Redação
Um dos maiores fenômenos da sociedade moderna é a inversão de valores. Somos tão seduzidos pelo marketing das grandes corporações que nem percebemos que, em geral, trabalhamos para quem remuneramos. O maior exemplo contemporâneo e perceptível, mesmo nas comunidades do interior, são os bancos. Para que manejemos nosso próprio dinheiro, ou para prestarem o serviço que lhes competem, nos exigem uma parte do nosso recurso, tempo e muita paciência. Na maioria das vezes, nos vendendo a ideia de que nos fazem um grande favor. Quando, na verdade, ao cidadão comum, omitem lucros estratosféricos, à base de agências com poucos funcionários e demanda inversamente proporcional. Ou seja, a realidade da ponta do atendimento é o que vemos por praticamente todos os dias do mês: agências superlotadas e funcionários assoberbados, alvos da ira de quem fica com os nervos à flor da pele. Afinal de contas, o dinheiro e a decisão do que fazer com ele é do cidadão e, aos bancos, caberia prestar um serviço à altura das tarifas e dos rendimentos que lhes proporcionamos.
De um lado, clientes, ou pretensos clientes, bombardeados por utópicas e belas propagandas, onde o mundo funciona com música de fundo, clima de ar condicionado e perfume de flores. De outro, funcionários das nossas agências sempre pressionados por produzirem sempre mais com sempre menos, seja tempo para cativar clientes, seja colegas para dividir a carga, seja tempo para encarar seu dia a dia tal qual uma gincana diária. Em que o vencedor é sempre o banqueiro.
No meio, o conflito e o mundo da informatização, das máquinas frias a reproduzirem exigências burocráticas, renovações automáticas do que não queremos, tarifas omitidas no afã da conquista e relatórios que nos tornam válidos ou inválidos para o jogo dos interesses. Enquanto isso, a fila só faz aumentar, enquanto no guichê de caixas, outra ponta de atendimento, sempre há menos funcionários caixas, do que guichês, em geral elementos de composição decorativa, pois que nunca utilizados.
E de um bom tempo para cá, a relação passou a ser mais de desconfiança, simbolizada pelas portas giratórias. Colocadas para suprir uma questão de segurança, servem sim, talvez, para intimidar um ladrão de galinhas, mas um bem apessoado assaltante de bancos é capaz de entrar com certa facilidade e deferência. O sistema pratica, na verdade, os conceitos ou preconceitos do segurança que com o controle na mão, tem o poder de fazer a porta liberar a entrada ou travar diante de um suspeito ou mal vestido cliente. Isto, partindo-se sempre do princípio de que as agências é que estariam fazendo-nos um grande e inestimável favor de primeiro deixar-nos entrar, segundo de nos deixar utilizar seus serviços e terceiro de entregarmos à sua responsabilidade o nosso dinheiro. E por ser assim, devemos nos submeter, calados e subservientes às regras de sociabilidade, que nos têm sido impostas pela atividade clean – lembra da propaganda? Agora, sendo clientes, somos impelidos ao atendimento do caixa eletrônico, onde não nos é oferecido segurança e nem porta que trava – sinta-se à vontade para sacar, transferir e usar seu cartão na frente de qualquer um, sem cerimônia, falta dizer a propaganda.
Mas, enfim, o órgão que regula os bancos é o Banco Central que recebe denúncias de consumidores pelo telefone 0800-979-2345. O horário de atendimento é das 8h às 20h nos dias úteis. Mas, antes, verifique se a instituição financeira tem ouvidoria, pois, segundo o Banco Central, todos os bancos são obrigados a manter ouvidorias, conforme as resoluções 3.477/07, 3.489/07, e circulares 3.359/07 e 3.370/07. E sendo assim, faça um favor aos nossos amigos bancários. Sendo desrespeitado pelos bancos, reclame e ajude o país a derrubar as práticas que estão por trás da propaganda, e que forjam a verdadeira imagem que vivenciamos e nos sentimos obrigados a aceitar como absoluta. A de que prestam um grande serviço às sociedades onde estão inseridos. Foi tempo.