Finalmente
Editorial
por RedaçãoSe no caso da estrada, a antiga iniciativa privada, a estrada de ferro que deveria ser encampada pelo público, tamanho seu alcance de transporte coletivo, a partir de 1961 foi sendo suprimido até que seus trilhos fossem arrancados, sob a promessa de que a estrada de rodagem asfaltada lhes seria dada. Era a opção por outro tipo de incorporação privada, a dos automóveis. O patrimônio construído com esforço e sacrifício, no nada fácil século XIX, foi simplesmente jogado fora por tecnocratas, seguramente, ligados aos interesses do capital internacional das grandes corporações automobilísticas. Ao não cumprirem a promessa, nos impuseram, em troca de nossas funcionais e eficientes estradas de ferro, uma covarde estrada de terra que só serviu para desunir e isolar. E a dívida não pode ser considerada paga, cinquenta anos depois, apenas com o asfalto. Santa Isabel do Rio Preto, em maior escala, assim como todos os distritos de Valença merecem muito mais. Os governos em todas as esferas são devedores destas localidades, abandonadas à própria sorte por tanto tempo. Que o asfalto seja somente o começo da liquidação do déficit histórico que a sede do município, os governos do Estado e a Federação, verdadeira patrocinadora do atraso, que reinou por estas bandas, detém com os distritos de Valença.
Na Saúde a apreensão silenciosa - já que ninguém se manifesta, contra ou a favor - do Hospital Geral José Fonseca que parece engessado, abandonado a sua própria sorte duma queda de braço de décadas, entre ser público ou privado. A crise atual antecipa mais um final com ingredientes de intolerância e falta de transparência. Propriedade da Mitra Diocesana e construída com capitais de beneméritos da iniciativa privada, homens da estirpe de José Fonseca e Raif Tabet, bem como por consideráveis e sucessivos aportes de recursos públicos, a instituição viveu sempre em desequilíbrio financeiro, gerados, segundo seus dirigentes, pela baixa remuneração dos serviços prestados ao sistema público de Saúde. Ainda assim, por mais aportes de recursos do Estado e do município, a instituição nunca conseguiu se reequilibrar. Reformas, reequipamentos, convênios, planos de saúde, nada foi capaz de reerguer o sonho. A máxima de que os homens passam e a instituição fica, neste caso se fez inverso. Os homens passaram e sobreviveram, alguns até melhor do que antes, enquanto a instituição hospitalar que já foi orgulho dos valencianos...
