Mais um Carnaval
por RedaçãoOs shows foram de qualidade cultural indiscutível, porém, de certa forma, pouco diziam respeito ao Carnaval, já que o que mais se aproximou da festa foi o grupo Araketu de raízes fincadas em Salvador. A confusão cultural ainda apresentou outros shows “doentes do pé”, que cairiam muito bem em qualquer época do ano, mas que no Carnaval de Valença ficaram devendo verdadeiro show de samba a dignificar nossas raízes afro-descendentes. Também a arena escolhida para tal atividade, apresenta-se em muito superada, seja em espaço, seja em bom senso. Evento cujo viés diz respeito à aglomeração de pessoas, o palco na subida da Catedral, além de violentar um sítio nobre e central da cidade, não tem gerado, já há algum tempo, conforto para os seus espectadores e foliões. Evento de multidão, mais que pede, exige espaço de circulação e comodidade. A continuarmos nesta tradição autofágica dos shows de multidão pela madrugada adentro, havemos de encontrar um lugar melhor para tal.
No Carnaval de rua, destaque para as iniciativas voltadas para a autenticidade e independência dos blocos de embalo. Uns mais profissionalizados e mercantilizados pela venda de abadás e farta e, muitas vezes, indiscriminada distribuição de bebidas; e, outros, como deveriam ser as farras construídas no espírito de brincar como do “Pé na Bosta”, em Valença, e do “Bloco do Caixão”, em Rio Preto.
Nos desfiles de blocos de enredo e escolas de samba, o esforço das comunidades, apesar de uma perceptível, porém tímida, renovação, está patente, ressente-se de maior participação da juventude. Infelizmente, as agremiações, por necessidade ou imposição não contestada, continuam fundadas, em sua maioria, sob a liderança de um personagem ou de grupo reduzido de diletantes. A falta da prática democrática e aberta, tal qual em nossas agremiações partidárias, talvez explique o distanciamento que tornam a experiência carnavalesca, por mais das vezes, esvaziada e esquálida caracterização de comunidades muito maiores do que aparentam apenas ser na avenida das ilusões valencianas. Quem sabe em 2013, a gente se redimi.
