Motivos individuais
por RedaçãoMaior exemplo do tempo em que vivemos na política, dá-se com a fundação do Partido Social Democrático (PSD), mais identificável como o “partido do Kassab”, prefeito de São Paulo. Apesar das aparentes boas intenções de romper com o que há, resgatando a memória do antigo PSD e de seu nome maior, o presidente Juscelino Kubistchek, em suas entrelinhas revela seu caráter de solução para os políticos que vivem sob a nova ordem política de sempre se adequar a situação, sem constranger-se aos ditames de seu partido, caso este decida ficar na oposição. O PSD nasce com propostas e diretrizes, mas também com a intenção clara de ser o partido das conveniências. Assim, seus membros transitarão do centro para a esquerda, se o governo for do PT, e do centro para a direita, se o governo for do DEM, por exemplo.
Nesta conveniente solução, nosso exemplo mais próximo é o deputado estadual André Corrêa que embarcou, sem alarde, no novo partido. Era PPS, onde sob a desconfortável condição de ser líder de um governo a que seu partido se opunha, teve no novo PSD a libertação do incômodo. Segue líder de governo, o que da forma como a política tem sido feita hoje é oportunidade que pode e deve render bons frutos para a região. No entanto, por outro lado, André, depois de ser trabalhista, ambientalista e comunista, agora engrossa as fileiras do partido que vislumbra, provavelmente, projetar para nível nacional a verdadeira incógnita política do prefeito Gilberto Kassab, que na esteira da marca forte JK, provavelmente, tentará emplacar a nova GK. Sigla que é a cara do que, muitos deles, os paulistas, sobretudo, pensam que nós somos, verdadeiros personagens de Monteiro Lobato.
Nesta onda do troca-troca, vereadores e pré-candidatos a Prefeitura de Valença buscaram novas siglas. Nenhum deles por posicionamento provocado por revisão ideológica, mas sim por ajustes de condição e vislumbre de viabilidade de candidaturas. Acontecimento que no passado requeria satisfação aos partidários e eleitores, hoje só quem precisa saber é o cartório eleitoral, aos demais é preciso apenas engolir – que interessa, à opinião pública, os partidos?
Comprova-se, uma vez mais, que os partidos foram reduzidos a figuras de retórica, agremiações de gaveta, siglas a serviço das malandragens do jogo que se tornou a política, assim mesmo, com “p” minúsculo. E assim, seguimos formando, nos maus exemplos, os reprováveis políticos, que se não tem sequer respeito por suas próprias agremiações, terão pelas instituições a que almejam fazer parte por meio de nossos votos?
Somos favoráveis a uma reforma política urgente, que restitua ao cidadão o respeito à política, a admiração aos políticos e a confiança nos partidos.
