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O jornalismo como sacerdócio

por Redação
A prática do jornalismo, em nossa região, tem 180 anos. Teve início, na recém criada vila de Valença, por iniciativa de uma instituição. A Sociedade Defensora da Liberdade e Independência da Villa de Valença congregou a nata da economia agrária da época. Tinha fins altruístas ligados à instrução e a lavoura, mas, visava mesmo, a manutenção da ordem e a conservação do regime. Os tempos eram de agitação. Pedro I abdicara e a política se acirrava. Neste cenário, nasce o primeiro jornal.
De lá para cá, o jornalismo por estas terras sempre esteve, senão a serviço, aliado de algum partido, grupo, setor ou causa. No século XIX, adentrando pelo XX, o mais importante, nos jornais, era sua opinião e seu posicionamento. Contra ou a favor, tinha ele de expor alguma cor. E assim se fez “jornalismo” por muito tempo. Quando a imprensa dos grandes centros brasileiros, finalmente avança rumo à moderna concepção de lidar com a notícia de forma profissional, preconizando a apuração e descartando a opinião que, até então, estava presente em toda e qualquer informação, o Brasil mergulhou na ditadura militar. Ou seja, antes que o vento inovador chegasse ao interior do atrasado Estado do Rio de Janeiro – capital Niterói, o que chegou foi o medo de se fazer jornalismo, pois ao fazê-lo estaria insurgindo-se contra o regime de exceção. Mantivemos, então, por receio ou sobrevivência, o jornalismo de situação. E, com a distenção política, logo agregamos o de oposição. O jornalismo ficou, aqui, restrito a instrumento da política e, até hoje, para muita gente - com a cabeça enguiçada lá atrás, um jornal de interior deve servir aos anseios políticos ou da situação, ou da oposição – senão, aos olhos deles, não serve para mais nada.
Por vezes, chegam a formular críticas a nossa maneira de entender e construir jornalismo baseados em fatos, apuração e contraponto. Como deve ser e como a maioria de nossos leitores sente-se satisfeito pela equilibrada e quase inédita prestação de serviços que lhe proporcionamos. O ataque, a cutucada, o apimentar, a provocação, a retórica e a contra retórica são ferramentas do discurso político e, como tal, não farão parte dos nossos textos jornalísticos. Cabem, isto sim, nos textos opinativos das colunas e da seção de cartas que nunca sofreram, nestes quase cinco anos de trajetória, quaisquer censura ou supressão. Só restringimos - por uma questão de bom senso -, a promoção pessoal e o tamanho dos textos.
Portanto, aos nossos críticos, sugerimos que deixem sua posição de conforto e das duas, uma: ou manifeste-se por carta, ou vá vender suas opiniões a um dos nossos colunistas. Ou ainda, caso se ache muito sabido e articulado ofereça-se para ser colunista, quem sabe a gente topa!
De procuração e sabichão, sinceramente, nós estamos cheios.