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Para que serve o jornalismo em momentos de comoção e choque?

por Redação
Para que serve o jornalismo em momentos de comoção e choque? Muitos afirmarão que o jornal serve-se das tragédias pessoais ou coletivas para gerar sensacionalismo e vender mais. Outros hão de crer, que a notícia precisa ser veiculada, custe o que custar. Porém, poucos perceberão que o jornal está intimamente comprometido com o fato relevante. E a relevância se faz presente, ou não, de acordo com o que se apresenta fora da normalidade, excepcional ou novo. Até é possível se fazer jornalismo com rotina, uniformidades ou fatos correntes e, se a isto, ainda, acrescermos banalidades, bajulações e inutilidades, estaremos produzindo descartável produto desconectado de seu tempo e espaço. Muitos já assim o fizeram, outros, por este Brasil afora, ainda sobrevivem fazendo do jornalismo de conveniências, manipulável e covarde seu ganha pão. Questão de evolução.
O verdadeiro papel da imprensa, no qual nos esforçamos para estarmos inseridos, enfrentando muitos desgastes de toda sorte, é outro. O papel que desempenhamos e que muitas autoridades dos três poderes, indistintamente, além de pessoas em geral, têm dificuldade de entender, seja por pouco costume de lidar com uma imprensa mais afeita ao profissionalismo e menos a subserviência das conveniências do antigo arraial, está intimamente comprometido com as necessidades de informação da sociedade a quem, essencialmente, prestamos nossos serviços.
Pois bem, o fato incomum de um brutal assassinato ou um escândalo envolvendo pessoa pública, ao contrário da sensação rasa dos que vêem na imprensa apenas interesses mercantis, incita diversos sentimentos no cidadão comum que podem refletir em toda sociedade. Medo, insegurança, raiva, incerteza, angústia, agonia, impotência, dentre outros sentimentos, provocam no cidadão necessidade da informação apurada e mais exata possível para, senão aplacar tais sensações, ao menos lhes aliviar, com nova percepção do que aconteceu, porque aconteceu e que chance há de acontecer novamente.
Chega a passar imperceptível, mas o papel de um jornal informando e suscitando o debate e até mesmo a reação da sociedade, mesmo que diante de um crime brutal, covarde e incompreensível, faz parte de nossa contribuição à manutenção da ordem pública, estamos certos.
Uma notícia estarrecedora e acrescida de imagens nem sempre de fácil digestão servem de alerta aos jovens para que compreendam que situações como estas são inaceitáveis e serão punidas com severidade, pondo a perder toda uma vida. Servem de alerta aos pais para que retomem as rédeas da criação dos nossos jovens, impondo, com muito amor, limites onde for preciso fazê-lo. Servem de alerta, aos nossos gestores, para que revisem suas planilhas, metas e imediatistas planos de governo, sempre tão ocupados com votos, e passem a investir pesado e urgentemente em educação de qualidade com cultura e esporte, verdadeiramente para todos. Isto, se ainda quiserem, no futuro, gerações que amem o próximo, respeitem o outro e que queiram trabalhar por sua cidade e por suas famílias. Servem de alerta, ainda, para que os órgãos de segurança saibam e sintam que nossas comunidades não estão apáticas e se estarrecem com tais fatos, além de exigirem elucidação e castigo para os culpados. Servem enfim, a toda a sociedade para que não permitamos, jamais, que tais acontecimentos absurdos passem por normais ou dignos de serem esquecidos ou arquivados.
Um jornal que se preza, presta este papel, também.
Doa a quem doer, temos consciência de que estamos a serviço da sociedade e do propalado Estado Democrático de Direito. E, sobretudo, por este papel, nos pautamos.