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“Parada de 7 de Setembro”

por Redação
No momento que escrevemos estas linhas, o fazemos antes de assistir a mais um desfile de 7 de Setembro. Esperamos ser desmentidos acerca das considerações que faremos aqui, levando em conta os desfiles dos anos anteriores.
Em que pese os anos dourados da “Parada de 7 de Setembro”, quando os educandários se esmeravam com, às vezes, até excesso de garra e galhardia, hoje o que assistimos seguidamente é o desânimo e a contrariedade estampada nos rostos da maioria dos participantes que, parece, não queriam estar ali.
Em que pese seu caráter evolutivo e transformador, o educador deixa transparecer estar indiferente e descomprometido e, sobretudo, desanimado com a sua condição profissional e com suas perspectivas, resumindo sua participação, a eventos deste tipo, como obrigação pontual e momentânea.
Em que pese o que se espera de sua função, os diretores, por sua vez, parecem concentrados somente nos problemas da rotina, deixando-se esgotar por estes e, assim, deixando de compreender que suas lideranças podem fazer diferença significativa na vida da escola, dos profissionais da educação e na da juventude entregue a seus desígnios, não só em busca e carentes de instrução, mas, sobretudo, de valores como civismo, disciplina, dignidade, respeito e orgulho do mundo do qual fazem parte.
Em que pese sua tradução ufanista, os desfiles de 7 de Setembro eram momento impar de se mostrar à população - que, diga-se de passagem, adora o evento – o quanto nossas instituições educacionais, através do garbo dos seus alunos, estavam empenhadas em mostrar que eram as melhores. Podiam até não ser, mas o sentimento transferido aos alunos, certamente lhes serviu e muito, para enfrentarem o mundo de alta competitividade sem desistir na véspera, por se achar menor ou incompetente.  
Portanto, em que pesem todos os problemas e maus tratos que sofrem os profissionais de educação, o Desfile de 7 de Setembro já foi e deveria continuar a ser momento de superação e, sem culpa, marketing. Ou será que alguém se sentirá estimulado em estudar ou a colocar o filho para estudar num educandário em que a marcha é atabalhoada, os rostos são distantes, os educadores se arrastam e não parecem esquentar com nada e o diretor não se orgulha, não lidera, não exige, não incentiva, não dá exemplo, não desfila e não diz a que veio? E estas colocações se tornam mais graves quando dizem respeito aos colégios particulares que estão no mercado perdendo alunos para a absurda van que leva nossos filhos para estudarem em municípios vizinhos.
É claro, que como em tudo que se critica, existem honrosas exceções e a elas rendemos nossas homenagens. Que continuem encarando o 7 de Setembro como o evento em que toda a comunidade escolar deve estar envolvida para fazer o melhor. O grande público que lota a avenida Nilo Peçanha neste dia, que já se satisfaz com tão pouco, merece mais respeito e tende a falar, do que bem o impressionar, por vários dias. E repercussão positiva é lucro incomensurável. O envolvimento, certamente, contribuirá para tornar nossos jovens orgulhosos e com a auto-estima em dia, sensações que poderão ser canalizados em melhores resultados na sala de aula e na formação de cidadãos mais íntegros e interessados nas boas coisas que os rodeiam. Que a tradição deixe de ser um fardo e passe a ser vista como oportunidade de se construir momentos únicos na vida de todos os envolvidos.
É preciso pararmos de a tudo desconstruir e desacreditar, pois em jogo não estamos nós, apenas, mas as novas gerações, ávidas por boas vivências e já tão cheias de frustrações.