Perdas
por RedaçãoQuando fechamos a edição de semana passada, ainda estarrecidos com a violência da batida, juntamo-nos a torcida de amigos e familiares pelo restabelecimento que logo se mostrou ineficaz. Restou-nos, então, refletir sobre a tênue fronteira entre vida e morte, com a qual sempre convivemos, mas na qual nunca estamos preparados para aceitar. No passado, acidentes de toda sorte sempre aconteceram, mas a doença e as guerras sempre foram os maiores ceifadores de vidas na face da Terra. Com os avanços tecnológicos, as máquinas nos forneceram rapidez e instantaneidade, mas também nos jogaram na roda viva da velocidade com impaciência e risco. E elas, mais do que qualquer coisa, tem nos matado, diariamente.
Apesar de todos os avanços que nos forneceram conforto, praticidade, saúde e segurança, a vida modernizada nos massacra, todos os dias, com compromissos, prazos, responsabilidades e preocupações. Assim, passamos a viver disciplinados pelos aparelhos, obedientes as agendas eletrônicas e escravizados pelo status que as máquinas passaram a nos fornecer. O automóvel, que antes fora símbolo de liberdade e ícone de experiência com a perigosa velocidade, agora restringe-se a ser, sobretudo, ferramenta para os deslocamentos da aceleração de nossos íntimos desejos, reproduzindo, no acelerador do automóvel, nosso ímpeto. Transformando a experiência de risco em prática rotineira, no fio da navalha.
A perda que nos arrasa e revolta, pode ser sintomática para revermos valores e modos de vida. Precisamos retomar o espaço da reflexão em nossas vidas. Afinal, para que a pressa? Por que estamos correndo desabaladamente? A quem buscamos agradar ou obedecer?
Acidentes fatais acontecem todos os dias. Mas o que vitimou o estimado Beto Reis, no entanto, pegou a todos de surpresa e deve servir para constatarmos que algo precisa ser feito para preservarmos o ser humano de novas e repetidas fatalidades. Precisamos desacelerar este carro da vida.
