Por mais que se faça. Por mais que se esforce
Editorial
por RedaçãoHoje, somos essencialmente críticos e insatisfeitos com os políticos, os empregadores, os empregados, a igreja do outro, o passeio quebrado e as nossas instituições. Entretanto, não percebemos, ou não queremos perceber, que nossas insatisfações estão intimamente ligadas ao sentimento político arraigado de atuar desconstruindo tudo aquilo do qual não faço parte. Ou ainda, criticar para aí distanciar-me daquilo ao qual possa vir a ser, também, responsável, seja por omissão ou falta de iniciativa. A tática, em geral, visa derrubar para ascender, não importando o estrago que se faça para obter tal êxito. E para isso, vale praticamente tudo, começando por não reconhecer nenhum mérito, nem nenhuma história.
Não se trata de policiar os insatisfeitos ou intimidá-los para não mais agirem, mas cobrar deles motivos construtivos, responsabilidade com afirmações levianas por quanto rasas, desproporcionais e destituídas de certa lógica.
É preciso estar alerta, pois muitas vezes a insatisfação destes agentes nos contagiam ao encontrar em nossos íntimos sentimentos campo fértil para suplantar nossos reais problemas. Portanto, é preciso que, antes de nos manifestar reproduzindo bravatas e opiniões de desconstrução do outro, busquemos qual a nossa verdadeira insatisfação. Auto-estima, carência, depressão, frustração e outras sensações da vida real e cotidiana, nos deixam tristes e vulneráveis, para adotar, como válvula de escape, o discurso do insatisfeito com outrem. Nunca conosco mesmos ou com os que consideramos nossos.
Precisamos fazer as pazes com o que há de positivo no ar. Com o que há de positivo nas pessoas, com o que há de positivo em nossos sentimentos mais profundos. Chega de sermos suplantados pelo negativismo que tanto atua contra nós mesmos. Chega de achismos e exacerbados idealismos que nada constroem, só adiam a tua obra. Disponha-se a ajudar, com o que haja em você de equilíbrio e bom senso.
Nosso caminho é árduo. Mas temos a consciência da importância e responsabilidade de nossa missão nas rotineiras lides do jornalismo. E estejam certos, não nos deixaremos contagiar pelos agentes do negativismo. Eles bem que tentam, mas quando reconhecemos suas intenções malignas, elegantemente, desconversamos. E seguimos em frente.
