Algo mais: Rio Preto
por Aloisio melo MoraisCalmamente assentados em cadeiras juntas às mesinhas, desfiando um bom papo, lá estarão eles, os mesmos de sempre. Sabem de tudo, dão notícias de quem morreu, foi preso, ou do próximo leilão de gado. Ali também, defronte às TVs bem instaladas, assistiremos a um bom jogo de futebol, ou saberemos dos últimos resultados dos clássicos. Você que me lê, leitor, preste atenção: vá depressa a Rio Preto, se ainda não foi. Você não sabe o que está perdendo de conhecer gente simples, boa e hospitaleira.
Mas, em Rio Preto, entre os seus, há também os que habitam os bancos do jardim. Sempre bem humorados, disputam com os das esquinas as melhores notícias do dia. São os que não bebem cervejinha, mas que não vivem sem se nutrir das notícias das boas fontes. Normalmente, se me presto bem atenção, são eles os que primeiro noticiam os resultados das últimas pesquisas eleitorais.
E nesse assunto de política, Rio Preto é craque. Não há como passar uma semana sequer sem que tenha candidato novo a prefeito. Ora um, ora outro, mas no fundo, no fundo de cada passante, o povão é quem sabe mesmo quem será o próximo. É como diz o ditado: “água corre sempre para o boqueirão”. E o povão já percebeu prá onde a água tá correndo. Por isso, prediz, com antecedência, o resultado do ano que vem.
Mas a grande vitrine de Rio Preto é o seu rio. É pela sua beleza e calmaria que as pessoas se espelham. É no compasso da descida das águas que caminha o povo da cidade. E é um tomando conta do outro que vivem: sempre em alertas. Se o rio enche o povo fica ressabiado e ansioso. Mas o rio é sempre sábio, se encolhe nas horas certas.
Não há como não ser cidadão riopretano sem respeitar ao Nosso Senhor dos Passos. É ele o chefão da cidade. Nas procissões e demais festas religiosas é que se certifica, com “F” maiúsculo, da Fé do povo em seu padroeiro. É tão generosa e boa a crença dos riopretanos que nunca hesitam em doar-se às reformas de seus templos religiosos. Que o diga Nosso Senhor dos Passos na restauração da sua casa, já em começo da segunda etapa.
O bom ar da cidade e a sua natureza também têm encantado a quem a visita. Disse-me outro dia um turista: “-que beleza a serração”. Verdade, à noite, pela madrugada, cai, sobre as ruas e o jardim, o orvalho que molha. Não há porque não classificar o fenômeno (que só ocorre a partir de junho) de uma beleza de clima serrano (por que não!).
Por último, por que não falar também da riqueza da História de Rio Preto, de sua origem ou de seu folclore? É por isso que os bichos, o caboclo d’água, o jabuti, etc., têm que habitar de vez em quando esta coluna. Sem eles, sem essa fantasia e ficção não há vida e arte para ser mostrada com alegria. É por isso que existimos: para circular entre palavras, histórias e gnomos.
