Lembranças do Brás
por Aloisio Melo MoraisEntre as suas várias estórias, que ajudaram na promoção das lendas e dos “mistérios” que cercam o Funil, nunca é demais destacar algumas. Sobre a “abundância” de onças suçuaranas que existiam na região contava o bom velhinho: - “por aqui ninguém cria cabritos. Elas (onças) comem todos e ainda palitam os dentes com os ossos dos bichinhos”.
Mentira ou verdade era o que menos importava. O que sobressaía nos causos eram a atmosfera do inusitado e o jeito jocoso do contador: “- A razão do nome de Cachoeira Ninho da Éguas é porque junto ao pé da cachoeira existia um fazendeiro que criava muitas éguas vermelhas. É por isso que as águas da cachoeira são vermelhas”.
“- E a Cruz do Negro?” – outra pergunta que surgia da conversa com o contador de causos do Funil, que respondia: - “No lugar daquela cruz foi morto um dos últimos negros de uma extensa família, jurada de morte e dizimada por um matador. Foi um dos negros mais sem sorte que já nasceu no Funil” - lembrava, continuando a contar:
“-Ameaçado de morte o negro sumiu. Depois de muitos anos resolveu voltar ao Funil e, naquele lugar (onde está a cruz) encontrou-se com o vingador que lhe deu uma última chance, para que afastasse, de costa sem que pudesse olhar para trás. O negro morreu por um tiro certeiro na nuca pela espingarda do matador”.
A mais contada das estórias, e hoje repetida por muitos que vão ao Funil, é a do “Burro de Ouro”, lugar também próximo à “Cruz do Negro”. Avisando que ali, um despenhadeiro era por onde havia uma trilha de passagem de tropa de burros.” - Brás lembrava: “-O contrabando de ouro vinha de Vila Rica, passava pelo desfiladeiro para chegar a Rio Preto com destino ao Rio de Janeiro e, depois, Portugal. Certo dia, um burro encrespou com outro burro da tropa e, na briga, desequilibrou e caiu no buraco profundo, em meio ao mato fechado e com o carregamento ouro. Ninguém até hoje teve a coragem de descer ao fundo do lugar para achar o ouro”. Aliás, sobre o Burro de Ouro existem estórias mais recentes, de pessoas que tentaram chegar até onde estaria o ouro caído. Ninguém conseguiu chegar lá.
A estória da “Ponte da Arrependida” também chamava a atenção dos que ouviam o Brás. O lugar é bem próximo ao Funil, na estrada que chega ao vilarejo. “- Ali, um fazendeiro vingou-se da mulher, jogando-a no fundo do despenhadeiro. O lugar é tão alto, que não se ouve o barulho da queda de uma pedra” – contava.
