Nossa Rio Preto, uai!
por Aloisio Melo MoraisDe repente, se você não acredita, vai achar um piau nadando na panela lá no Restaurante Fundo de Quintal. Ser riopretano é isso, é estar sempre acompanhando o sentido da água. Agora, tem uma coisa, se você olhar pro céu não vai ver tristeza: é só azul e grinaldas. E tem mais: Rio Preto não fica sem mostrar suas igrejas centenárias. Elas não são feitas de cimento do desvio de dinheiro público, mas são da fé de seus pacatos cidadãos de bem (tem também os do mal, mas esses oh!...).
Dá gosto ser mineiro e riopretano. Falar isso não é para gabar não. É porque quem nasce em Minas, como em Rio Preto, tem um jeito hospitaleiro e de sonhador. Pode ser que você vá à nossa Minas à cavalo. Leva dias, mas é certo, você chegará por muitas outras mineirices litorâneas: entre elas Furtado ou Porto dos Índios. Em todas verá que não é preciso explicar nada, porque todos já sabem, uai, são lugares de gente simples e boa!
Mas quem disse por aí que Rio Preto não tem marcas? Vejam suas três Marias: as palmeiras centenárias. Ou será que elas não dizem nada aos seus olhos incrédulos? Às vezes parece que a cidade ficou no tempo. Mas isso não é verdade, sua História tem muito a contar ainda. Se sobre seus ancestrais ainda não foi dito quase nada é porque ainda estão por se descobrir.
A Rio Preto de hoje é também a da cobra sucuri, das onças, do cabôclo d’água e do jabuti. Que o digam os oitis da Rua Larga, neles todos, ou apenas em um, há bichos habitando-os. É por isso, que quando você for na cidade, não deixe de olhá-las. Pode ser que em meio às suas folhas verdes encontre algum olhar furtivo, talvez de um bicho insensível também a olhá-lo. Neste caso, há perigo. É melhor que você se abrigue até que o bicho malvado vá embora.
Falar de Minas sem um causo é ficar no pecado. Lá vai. O turista: - Bom dia. “– Dia.” - Tudo bem por aqui? “– Mal ou menos.” “O amigo podia me dar uma informação? “Vamo vê.” - Como que a gente vai prá Santa Clara? “ É ansim, vira li e segue indiante.” – Muito longe? “– Vai preguntando.” - Leva quanto tempo prá chegar lá? “A pé?”
E o cara, que chegado das férias prá visitar a grande fazenda, vindo do Rio, não acostumado com aquele linguajar e desavisado começa a ficar irritado. Ele não sabe é que não vai adiantar nada ficar bravo. Conversa de mineiro é assim mesmo.
- Sujeito esquisito – fala para a mulher.
Enquanto isso, o nosso herói, observando e andando em volta do carrão em que os turistas estavam acomodados pergunta:
“- Moço, que mal lhe pregunte, uai, ocês num troca esse carro na minha Chiquinha que tá ali, oh?” – apontou para a mula arreada, presa pelo cabresto ao alambrado de tela defronte a um dos trailers da praça.
