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Serra das Três Divisas

por Aloisio Melo Morais
Visitar os mais longínquos lugares próximos à cidade de Rio Preto é sempre uma boa opção de viver novas experiências de comportamento, seja pela convivência com pessoas simples ou pela aprendizagem com a natureza. Aliás, o meio ambiente riopretano, não só da região beira rio, como serrana é sempre exuberante e nos leva a lugares mágicos, nunca vistos antes.
Um dos pontos mais visitados por turistas, ultimamente, é o da região da Encruzilhada, bem acima do Funil, a mais de 1.200 metros de altitude. É por lá que circundam belas matas, cachoeiras e existe uma fauna agreste e selvagem, nem sempre perceptível por nós em viagens rápidas. Uma floresta que merece ser conhecida é a da Tiririca, com cerca de 100 alqueires de mata virgem e perigosa.
É dela a origem de muitas histórias pitorescas ou misteriosas, envolvendo onças, tamanduás, macacos gigantes e outros animais que aparecem naquela região montanhosa. E por falar em montanha, existe a Serra das Três Divisas, com mais de 1.600 metros de altitude, e é certamente o ponto mais alto do nosso Município de Rio Preto.
Para se chegar lá, você, ou vai a pé (3,5 horas) ou à cavalo (2,5 horas). Tão logo se passa pela Pousada Mirante Santo Antônio, de quem vai no sentido de Rio Preto para o Funil, numa porteirinha à direita você entra para Santa Luiza. Ao pé da serra começa a caminhada que dura o tempo certo para você descobrir a beleza ímpar do lugar.
E é de cima do monte, já na planície, que se encontra a nascente de uma água pura, presente ali tanto no período de seca quanto no de chuvas. A água brota dentro de um grande buraco, ou melhor, de um cânion, onde você consegue chegar ileso e se banhar ou bebê-la. É do alto da Serra das Três Divisas uma história fantástica da existência dos bois selvagens.
Garantem os que lá já chegaram que os animais, parecidos com marruazes, mal vêem a presença humana e desaparecem entre os matos que circundam os penhascos dali. É recente a vista desses bichos no chapadão da Serra das Três Divisas. Entre os bovinos, saudáveis e gordos, não existem pragas como bernes, carrapatos, etc. Entre eles, segundo contam os que já viram, há uma mula branca enorme, com crinas e quem dá o sinal de alarme de fuga para o resto da manada.
Ela como os outros animais, também não se dá com a presença humana e some entre os arbustos quando alguém se aproxima. Minha gente é assim esse universo riopretano e que poucos ainda conhecem. Nas Três Divisas também tem gaviões gigantes, que mais parecem harpias, e urubus reis, todos voando a poucos metros da gente naquele alto de serra deslumbrante.
Mas a estória, mais fantástica mesmo daquele fim de mundo, é contada pelo meu amigo Negão, quando descia de volta para casa depois de visitar o cume da serra. Disse ele que a certa etapa da caminhada, quando passava à pé dentro de um capão, que ouviu o seguinte diálogo :
- João, pelo amor a Deus, tira. Tá doendo muito.
E, enquanto a voz continuava, o outro não respondia e a vítima continuava a gemer:
- Tira João, tá doendo muito.
Conta então o Negão, finalizando:
- Eu, com pena de quem gemia resolvi, devagarinho, entrar entre as folhagens do mato e ver o que estava acontecendo. Grande foi a minha surpresa que encontrei um João-de-Barro tirando um espinho do pé de um papagaio, deitado no chão e gemendo de dor.