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Tesão reprimido

por Aloisio Melo Morais
Leitor(a), olha a carta que um meu amigo recebeu de um cliente seu, na íntegra: “Prezado doutor, estou lhe escrevendo porque o senhor é um médico e sei que poderá me ajudar. Minha situação é desesperadora, estou à beira do suicídio, por favor ajude-me.
Tudo começou quando vinha do Funil, de carro, e uma mulher me pediu carona. Pelo seu jeito percebi que não era uma moradora do local, mas uma turista que devia ter passado o fim de semana acampada, ou coisa parecida.
Antes que o senhor pense alguma coisa de mim, quero dizer que sou um homem simples, sou calmo, honesto e nunca molestei mulher nenhuma, quanto mais uma desconhecida. Também queria lhe dizer que não costumo dar carona, exatamente para evitar percalços.
A mulher entrou no carro com uma mochila pequena que ela levou no colo, ao meu lado. Veio conversando comigo, perguntou o meu nome, eu respondi e, nem preciso foi perguntar o seu nome porque logo ela mesma disse. Enfim, devo confessar: dei a carona porque era uma bela mulher, com pernas lindas!
Ocorre, doutor, que no meio do caminho ela levou a mão naquele lugar, sabe? Não há nada que mais provoque um homem do que ser bolinado pelo sexo oposto. Fiquei confuso e descontrolado ao volante. O carro até variou de um lado para o outro na estrada.
Mesmo assim, eu não tive ereção. Aliás, doutor, esse é o problema: eu não consigo mais e, por isso, não transo há anos com a minha mulher. Acho que é por causa da minha idade avançada. Mas aí aconteceu uma coisa: a mulher, quando viu que não acontecia nada, tirou da bolsa uma pequena latinha e disse:
- Isso aqui é uma pomadinha japonesa que se você passar vai ficar no jeito, experimente.
Dito e feito. Passei a pomada e veio aquele calor danado e uma ereção bruta surgiu do nada, como um vulcão, coisa que eu não tinha há muito tempo. Tudo pronto, então, e eu pensei na minha mulher me esperando quando eu chegasse na cidade:
- Eu vou transar com você, mas tem uma coisa: a minha mulher é muito, mais muito ciumenta mesmo e não pode saber de nada, viu? A tal concordou em não falar nada com a minha mulher. Transamos ali mesmo, na beira da estrada. Só que tem outra coisa doutor: a ereção não acabou e nem acaba mais depois daquele dia.
E o pior: a minha mulher não me dá sossego, fica o dia inteiro atrás de mim pra transar com ela.  Eu não sei mais o que fazer. Não posso entrar em fila no banco e nem ficar conversando na esquina da rua com um ou outro, porque todo mundo se afasta de mim e fica me olhando de longe, com medo.
- Horrível, doutor, o que eu faço prá conter o bicho?”.