Eu vi.
E Ouvi.
por Joel Pereira
Seja nos botequins, nas fábricas e em todos os lugares, na semana em que antecedia a partida era aquele alvoroço! Na esquina da Rua dos Mineiros com a Nilo Peçanha, havia faixas e cartazes, havia as provocações com trabalhos espetaculares de artistas dos pincéis, fazendo sátira da Jiboia engolindo o Canário, outro do Canarinho beliscando a Jiboia. No Estádio onde se desenrolava a partida era aquele auê! Chegar cedo era essencial para pegar o melhor local e assistir, pois caso chegasse atrasado, este teria que ficar atrás e com pouca visibilidade do campo. Eram torcedores fanáticos e outros chegavam ao ponto de fazerem apostas vultuosas e, dependendo da situação da classificação de um ou de outro, havia a provocação de dar um gol de diferença; quando a coisa estava nivelada, o máximo que conseguiam era dar o Empate para conseguir apostadores.
Sinceramente, já presenciei muitas brigas, tumultos e coisas mais em nosso Futebol do passado, mas neste clássico de nosso futebol, eu não me lembro destas lamentáveis ocorrências: estas partidas tinham todos os requisitos para acontecer, mas o que me lembro é que as mesmas eram disputadíssimas, com respeito um ao outro. Mas vamos rolar a bola. Lembrar de grandes formações dos dois clubes era uma dádiva. Eu, infelizmente, comecei a assistir a partir de 1951, mas nem por isto deixei de presenciar e ver a nata de nosso Futebol. Pretendo não divulgar nomes deste ou daquele clube para não fazer injustiças, já que o espaço que tenho é demasiadamente pequeno para tantos craques.
E nesta edição, simbolizando uma formação do Clube dos Coroados entre estes dois clubes, vou reverenciar uma vitória expressiva do Clube dos Coroados, isto no dia 26 de agosto de 1951, cuja formação foi: em pé, técnico Manoel Bolacha, Fabio, Otto, Tião Rosa, Luizir, Yoga e Irany; agachados: Afrânio, Paú, Hamilton, França e Duilio. Eu ouvi de meu amigo Duílio, jogador acima citado, muitas e muitas histórias às quais agradeço mais uma vez a estes saudosos e maravilhosos jogadores do passado, que deixaram para nossa cidade uma farta e inesgotável história.
