A gente merecia este carinho
por Hélio SuzanoÓbvio que prioridades existem e mereçam respeito. Vivemos momentos conturbados e que merecem respostas firmes e ligeiras. Nosso poder de mobilização, de revolta e de mudança precisa e deve ser cada vez mais direcionado. Como também óbvio fica que não é uma noite feliz que vai nos curar as mazelas e nem aplacar nossos desejos e inquietações. Mas, com franqueza absoluta, que um carinho faz bem, isso faz. Um sopro de esperança numa cidade acostumada a cultivar a desesperança e a solidão.
Em meio a todos os problemas vividos por nossa cidade, a celebração do nascimento do Menino Jesus de forma tão marcante, tão sensível, tão emotiva resgatou aqueles sentimentos esquecidos na gaveta das nossas emoções: a solidariedade, a fraternidade universal, o amor ao próximo, a vontade de fazer a diferença num mundo cada vez mais egoísta. Uma exaltação à nossa Valença, sua força e pujança, suas belezas e riquezas tão esquecidas por todos nós nestes dias difíceis que vivemos.
Por algum tempo deixamos de falar mal de Valença, de praguejar seus eternos gargalos, suas eternas dificuldades que tanto nos incomodam e nos prejudicam. As crianças, as escolas, o zum, zum, zum, as mães, pais, orgulhosos de seus rebentos. As professoras, os adolescentes, as costureiras, a população, todos unidos, irmanados na missão de levar a cada família um Natal de luz e amor.
Em nenhum momento esquecemos nossa luta. Mas, por muitos momentos, vimos uma luz no final do túnel. Como o valenciano é criativo, é talentoso e sensível. Como ele gosta do belo e sabe dar valor ao que é bem feito, bem elaborado. A avenida lotada de famílias de todas as classes sociais, de todos os cantos e recantos do município. Um congraçamento que não se vê mais por aqui, por essas bandas. Uma união de elogios, de aplausos, de alegria e de orgulho. Isso mesmo, orgulho de ser valenciano e de estar proporcionando a toda gente presente aquele momento de beleza, de resgate do espírito do Natal.
Vi e ouvi de várias pessoas presentes, inclusive de visitantes, extasiados com a beleza singular do desfile, elogios e mais elogios à cidade. Acolhedora, tranquila na sua mineirice, pujante na sua modernidade, cultural e intelectual na sua maneira de ser. Uma cidade grande escondida no lodo da mediocridade reinante que por décadas insiste e persiste a nos atormentar.
Por lapsos de instantes, a cidade venceu a opressão da eterna disputa eleitoral, dos apadrinhamentos, das amarras que nos impedem de soltar a voz. Nestes instantes fomos uma cidade cidadã, modelo, educada, capaz de resolver sem demagogia suas principais questões. Uma cidade limpa, onde a educação de qualidade, pública, é valorizada, onde os empregos estão nas oportunidades e não na prefeitura. Uma cidade universitária, orgulhosa de suas faculdades, de sua fundação. Uma cidade forte no turismo, no campo e na indústria.
A força de nossa gente é, sim, capaz de refazer e recontar nossa história. O desfile de Natal mostrou que nossa vocação é para a beleza, a cultura, o erudito e o popular. Afinal, somos a cidade berço do jongo, dos batuques, a cidade berço de Clementina de Jesus e de Rosinha de Valença. Mereces destino melhor.
A celebração do amor de Jesus mostrou que somos e podemos mais. Depende única e exclusivamente de nossa vontade e coragem.
À todos - à população que prestigiou e se deliciou; às crianças e suas famílias; aos professores; às associações e aos empresários que colaboraram; ao poder Público e autoridades; à todos que contribuíram, organizaram, planejaram e executaram o desfile: muito obrigado.
Valeu Papai Noel! Feliz Natal!
