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A praça é nossa!

por Hélio Suzano
Começo a escrever esta coluna semanal sob pressão. Esta semana tem feriado e o jornal fecha na segunda-feira pela manhã. Assim, já no sábado de manhã, acordei cedo e tentei buscar inspiração nos jornais e revistas espalhados sobre a mesa da sala. Dedilho o teclado sem sucesso. Palavras desconexas e frases soltas na tela. Já são 9 horas da manhã e o texto não surge.
Resolvi colocar o notebook debaixo do braço e, acompanhado de meu fiel escudeiro Breno, fomos à rua dos Mineiros em busca de assuntos. Que sucesso faz um bebê com seu papai! Todos a paparicar e a tecer elogios dos mais sinceros até os mais inusitados. E o Breno, para quem não conhece, já é um pequeno artista: simpático, atencioso, facinho de mais. Vai com todo mundo, mexe com um, com outra, ri e adora dançar em frente às Casas Bahia. É um sucesso. Na esteira vai o papai, acompanhando seu pop star, tirando uma casquinha na sua popularidade.
Paramos na loja de sucos. Sentei numa das barracas com o Breno no joelho e abri o notebook. De cardápio em punho, pedi um suco de beterraba com laranja e comecei o texto. Logo chegou o João, para confabularmos sobre teorias acerca do futuro de Valença e do planeta. Junto veio o Peu, com algumas novidades sobre a ação da vitamina “E”. Tudo muito inspirador (...). Depois chegou Torinho, falando sobre suas expectativas políticas e seu olhar ácido sobre as coisas de Valença. Enquanto escrevo, ele sequestra o B para um tour em busca de popularidade.
Valença é cheia destes tipos bacanas e parceiros. Mas também, cheia de impostores. Ao longe vejo o Aderly com seus gestos coreografados, de pastinha a tira-colo, fazendo ares de “salvador da pátria”. Só engole quem não conhece. Do outro lado da rua, o brizolista Alvanir e, num banco próximo, lendo o jornal atentamente, o professor Lameira. Deixo-me levar pelos olhos, percorrendo a rua e suas figuras. Sou interrompido por um grito: Fala Pato! É o colega de JL, Ricardo Reis, trajado com seu manto alvinegro. Nesse instante, chega a vovó trazendo um suco para o B. Esse papai esqueceu do suquinho. Também, ele não é muito de comer. Só com muita oração e estratégia de sua mamãe. Mas, nesta manhã, inspirado, tomou o suco e ainda beliscou umas coisinhas.
Neste instante, enquanto eu divago no notebook, o B. chama atenção de duas menininhas mais velhas. Elas se aproximam e o reconhecem de algum lugar. E o abraçam, e o mimam. Que barato! Dou um tempo no texto ligando para o Tiago. Ía pedir para trazer a Belinha. Infelizmente a porcaria do sinal de celular não completou a ligação. Dava sinal para, em seguida, dizer que “este numero não existe”. Então eu sou idiota? Como não existe? Que raios de máquina é essa que não reconhece o número de um amigo? Pois se eu ligo sempre nesse número. Coisas da modernidade que ainda não consigo entender ou aceitar.
Volto ao texto pois já são 10h30. Mais uma vez sou interrompido. Agora pelo amigo Jorge (Anú), convocando o Breno a vestir o manto do Glorioso. O manto está na máquina de lavar. Últimamente temos sido felizes nos jogos do fogão. De longe vejo surgir a figura da Lili do Guilherme para dar um beijinho no Breno. Nem dá tempo de perguntar pelo Guilherme, some entre as pessoas. Resolvo abrir o facebook. Encontro uma série de comentários sobre as questões políticas de Valença. Tratei de fechar a página. Uma manhã linda, uma rua feliz não merecem um filme destes.
Já são 11h10 quando senta-se ao meu lado o Roberto e em seguida, o “coisa linda” do Sirley. Depois o Elcir, a Marlene do bairro de Fátima, a Ternurinha e mais um monte de amigos e de pessoas, alguns que nem sei o nome. Me senti o próprio Carlos de Nóbrega na “Praça é Nossa”.  
Nossa historinha é relativamente comum. Numa rua coalhada de gente a conversar, a fofocar, a trabalhar, a correr freneticamente para todos os lados, uma criança feliz com seu pai orgulhoso podem sim, ser assunto para uma semana em que se comemora o feriado de sete de setembro. Um cidadão que tem orgulho de sua mãe gentil, de sua pátria amada Brasil.

O Pato  e a ilha deserta

O Pato pop star, entrevistado pela revista “Bicos”, respondeu sobre quem levaria para uma ilha deserta: uma vara de pescar. Óbvio!