Compromisso com a eternidade
por Hélio SuzanoOs tipos humanos sempre, em todos os tempos, buscaram freneticamente uma fórmula para burlar ou ao menos, desacelerar os ponteiros do tempo, mas como sabemos, nunca conseguiram êxito. Uma fórmula aqui ou acolá prometendo acabar com as rugas, diminuir as deformações provocadas pela gravidade e anos. Uma plástica, várias plásticas, infiltrações, lipo, hipo, mais não sei o que acompanhadas de dietas mirabolantes do Mediterrâneo, da Nova Guiné, da Guiné Bissau, Curicica prometendo a perpetuação. Mas, nada conseguiu frear o tempo e continuamos envelhecendo e morrendo. O tal elixir para a vida eterna não existe. Um novo fôlego como o dos gatos, ainda não foi encontrado e temos que conviver com isso. As religiões oferecem alento, aceitação, conformação, certeza baseada na fé no ressuscitado. Mas é só a fé por que, de concreto, continuamos a conviver com nossas limitações temporais, cientes que logo partiremos que do pó viemos e para ele retornaremos. Como diz um amigo meu, sete palmos nos esperam para frustrar nossos planos, nossos enganos, frear nossa cobiça e encerrar num caixão nossa história.
No entanto, descobri com o passar dos últimos doze meses que é possível conquistar a eternidade sendo mortal e que, não estamos restritos apenas há este tempo. E olha, não estou falando de religião ou de alguma fórmula mágica. Este panorama desolador imposto pelo tempo tem solução, mesmo que seja de difícil compreensão para alguns. Agora eu vivo a certeza de eternidade e faço minhas escolhas por sobre está certeza. Meus atos, minhas atitudes, minha postura e compostura são reflexos desta certeza.
O Breno completou um aninho e eu, doze meses de um feliz aprendizado. Vendo-o crescer, engatinhar, dar os primeiros passos, fazer aquelas gracinhas de quem está descobrindo o mundo, encontrando caminhos e opções, de quem precisa de amparo, carinho e amor para crescer e se tornar alguém. Esta é minha descoberta. Ele é a minha garantia de perpetuação, de eternidade. E não precisa ser de sangue, mas, imprescindível que seja de coração. O filho é nosso maior tesouro, nosso maior e melhor projeto para o futuro.
A minha eternidade está garantida. Assim como a responsabilidade em fazer direito. Minhas atitudes, que antes eram chanceladas pelos valores e exemplos adquiridos de meus pais, agora ganham em importância e relevo por que vão nortear a vida de um pequeno ser, ávido por aprender.
Não ser um mau sujeito, ser presença vibrante e atuante em nosso meio, alimentado por valores de tolerância, amizade, justiça, solidariedade, caminhando com respeito, com humildade, em condições de fazer e acontecer, levando adiante o nome e o sobrenome deste pai que o ama e que se enxerga lá na frente nas suas vitórias e derrotas, alegrias e tristezas. Minha extensão, continuidade, compromisso com a eternidade.
O PATO
O pato sempre é um resignado diante do passamento final. Vestir terno de madeira, comer capim pela raiz, alimentar tatu bola ou descer sete palmos não são apenas expressões, mas, sentenças. Em tempos de quadrilha julina e de mensalinhos e mensalões o Pato prefere peregrinar pela Passagem em meio à poeira dos políticos.
