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Desanimador

por Hélio Suzano
Gostaria de expressar nesta coluna meu profundo desânimo com o rumo que as coisas parecem tomar em Valença.
Vou direto ao assunto. Nunca tive problemas em expor minhas opiniões e aflições e nunca tive receio do contraditório, da discussão - desde que pautada numa linha de respeito e objetividade. Mas tenho procurado me manter, nesse tempo de colunista, na linha da serenidade e sobriedade. Esse negócio de viver a vida expressando diuturnamente nossos descontentamentos e frustrações, pode nos transformar em chatos.
Mesmo correndo o risco da chatice e das retaliações traiçoeiras, não há espaço para omissão. É impossível respirar em meio ao xorume que desce do lixão. Conclui nesta semana, que existe um plano macabro de transformar Valença num grande bordel-hospício circense.
Pois é, nesse trapézio que vivemos e criamos nossos filhos. Deveríamos estar mais preocupados. As pessoas de bem, os homens honrados e honestos deveriam deixar a solidão e juntarem-se aqueles que correm contra o fluxo destrutivo da corrupção, da demagogia e da omissão.
 Nos bastidores da vida pública, vi muita gente boa e honesta sem reconhecimento, sem voto, sem vez. Quem tem valor não vale coisa alguma, nem para os caciques e muito menos para os eleitores. São os bajuladores que tem valor. Essa é a triste realidade do nosso microcosmo valenciano.
Agora, esta história da Metalúrgica. Tão próximo da cidade, a vista de todos, e ninguém viu nada? Esta Lei de incentivos é uma ferramenta importante para geração de emprego e renda na cidade e deve ser defendida, mas seu uso é nossa responsabilidade: da Associação Industrial de Valença, da Câmara de Vereadores, dos Sindicatos. Deveriam organizar comissões para visitarem as indústrias e conferir “in loco” o número de empregados e o tamanho dos investimentos realizados. Assim poderão conferir se foi uma exceção a regra.
Sim, são nestes momentos que temos que assumir responsabilidades. Criticar por criticar não nos levou a nada. Agora, assumir a responsabilidade de fiscalizar, denunciar e propor correções, isso sim, é papel responsável de quem acredita e trabalha para transformar nossa realidade.
Uma grande transformação seria possível se começarmos a prestar atenção em nossa realidade. Se paramos para olhar como Valença se encontra, temos que reconhecer a falência desse modelo político que se desenvolve há décadas e serviu para perpetuar velhos vícios de uma política de apadrinhamento, que procura desestruturar cultural e intelectualmente a população. Parece que vivemos em meio a uma grande confraria de interesses que, na maioria das vezes, são contrários aos nossos.
A coisa está feia, mas tão feia que comemoram-se derrotas alheias como vitórias. Desanimador.

MOVIDO A PIMENTA-DE-CHEIRO

O Pato acha que os jornalistas da grande imprensa nacional que aqui estiveram investigando, ao se depararem com o Brejal todo caiado de branco, saíram com a impressão de que, se não fabricamos peças de aço, fabricamos cal virgem.
O Pato dá uma receita pra carroça do Brejal deslanchar: meter um supositório de pimenta-de-cheiro e outro de malagueta no tóba do burrico e soltar as rédeas. Segure-se quem puder! “Quem tem estreito, não faz trato com grossa”.