“É preciso chegar ao fundo do poço”
por Hélio SuzanoJuro que nunca entendi muito bem algumas fugas. A perda do meu pai há cerca de oito anos, foi uma dor imensa. Vivi aquela dor intensamente para hoje ainda senti-la, mais atenuada, envolta em lembranças. Essas pessoas que preferem um atalho que as poupem de encarar o problema, sofrem mais e por mais tempo. É claro que todos precisam encontrar um conforto, um apoio para tocarem suas vidas sozinhas. Mas não pensem que, fugindo, vão encontrar paz.
Um soco no estômago muitas vezes é mais indicado que um rivotril. Muitas ações bem intencionadas podem não adiantar nada e ainda, podem até parecer oportunismo. Nestes casos, nem nossas atitudes vão servir de exemplo. Esta dor contamina, se comunica, espalha dando cor ao processo. É uma violência contra nosso eu.
É simbólico, quando perdemos alguém querido, o sofrimento. Afinal, é para sempre aquela ausência, aquela saudade. E o inconformismo trás aquela pergunta: por quê? E não só da morte física. Diante de dilemas no trabalho, na vida pessoal, diante de limitações e defeitos acabam por render-lhes uma profunda submissão ao inexorável da vida. Este enquadramento passa e repassa feito novela repetida e nunca, nunca estamos suficientemente preparados para suportar. E muitas vezes o caminho, a saída, é a fuga.
Fugir, vagando diante de presenças bondosas, do conforto de palavras amigas, da certeza de que não se está só, não vai aplacar a dor. Apenas vai prolongá-la. Como a morte física, a morte do amor através do divórcio, a separação de quem um dia se quis tão bem, planos dilacerados, é triste e causam uma dor tamanha, imensurável, que tem que ser sorvida até o fim. Só assim se está pronto para voltar a viver.
É melhor sofrer consumido pela dor do que viver uma vida sob o barulho do choro contido. É pura ilusão procurar conforto na cultura moderna do desapego, da frivolidade, da agitação e das festinhas. É preciso chegar ao fundo do poço para poder sair dele.
Uma difícil decisão 3
Para encerrar o pensamento das últimas semanas, penso que até os 46 minutos do segundo tempo tudo pode acontecer. O fundamental mesmo para os simples mortais que não acompanham os bastidores da disputa eleitoral travada nas sombras do cotidiano das reuniões secretas, é receber informações de qualidade e em quantidade agora e durante a campanha. Só assim poderão, em última instância, se preparar para escolher com alguma coerência. E esta informação não deve se ater apenas aos candidatos ao executivo - uma praxe nas eleições. Deve devassar, escancarar, os candidatos ao legislativo. Esta é a forma mais rápida e barata de sanear a política valenciana. Este é um dever de contribuição da imprensa livre de Valença.
“Unidos do é mole, mas é meu”
O carnaval do Brejal, como quase tudo por lá, já foi bom, sentencia o Pato. Neste ano, a principal agremiação carnavalesca do Brejal, o Bloco “Unidos do é mole, mas é meu”, vem com o enredo “É hoje que o bicho vai pegar” (autor: mosquito da dengue), e o samba-enredo: “Ai, se eu te pego... eu te mato” (Grilo Teló & Cibila Brejeira).
Sucesso garantido na avenida.
