Eu quero ser santo
por Hélio SuzanoQue missão difícil essa, de ser santo nos dias de hoje? E incrível que mesmo diante dessa enorme dificuldade, encontramos e reconhecemos Santos a todo instante. Pessoas comuns que focaram suas vidas com determinação e tenacidade, respeitando e se fazendo respeitar por seus valores, pelo que são e, não, pelo que tem. Não foram canonizados por Roma por mera liberalidade, mas imprimiram ou, ainda imprimem, em suas vidas a marca da diferença. Assim foi com a nossa vizinha Dona Joanita (falecida há algum tempo), uma santa com todos os apetrechos. Firme, reta, sem perder a doçura, amantíssima como Maria, num caminho de amor ao próximo e misericórdia.
Hoje, vigora em nosso cotidiano o que poderíamos classificar de "erosão de valores éticos". Esses valores eram vividos e transmitidos direto na família, e depois na escola e por nossa sociedade. Essa erosão desequilibrou o sistema causando efeitos danosos para o nosso futuro. E, hoje, para se mudar o mundo, primeiro precisamos entendê-lo de fato. É preciso construir vínculos por toda a parte para então, poder transformá-lo na essência. Isso acredite, já dizia Marx.
Precisamos entender esse mundo globalizado. E isto meus amigos, não se aprende por palestras ou através de bons livros, embora, muitas vezes, ajuda. Aprende-se com as pessoas, com a participação. Aprende-se vivendo os movimentos, sejam eles quais forem. Aprende-se ombreando os companheiros na linha de frente das lutas. Aprende-se vivendo a vida real.
Vivemos uma atmosfera de pasmaceira geral onde vale tudo e que transforma os “santos” em peças embotadas e impotentes, resignadas com seu próprio destino.
Neste contexto, a população sai em busca da felicidade completa como se fosse possível. Pura ilusão, porque não se sustenta nem se apóia numa realidade. Acabam perdidas, perambulando por psicólogos e psicanalistas, por religiões e seitas, em busca do sentido para a vida, numa confusão de visões de mundo, da relativização de valores e do vazio que ocupa a existência de muitas pessoas.
Ser santo é voar alto, em liberdade, realizando suas potencialidades. Não dá para ser santo sem assumir o lado escuro da arrogância e das limitações que nada nos orgulha de modo a contê-lo. É focar na relação com os outros de forma aberta, sincera e feita de trocas enriquecedoras. E, principalmente, alimentar-se na espiritualidade, esse capital vasto e ilimitado feito de valores como a verdade, o amor e a justiça.
Como se vê, somos todos um pouco santos em nossas vidas. Precisamos é buscar esta santidade mais vezes e com mais entendimento e fervor para transformar nosso mundo. São esses vínculos, esses laços, que podem manter e expandir essa transformação.
O Pato e o falcão
O Brejal se viu a mercê de uma nobre ave de rapina: um falcão. A poderosa ave resolveu que iria ter o pato pro almoço. Partiu à caça do pato. Por diversas vezes o pato se safou, mergulhando sob a água na última hora e permanecendo submerso por mais tempo do que podia o falcão pairar no ar à espera.
Na última tentativa, o falcão foi além. Imprimiu grande velocidade no ataque. E desta vez foi atrás, mergulhando enfurecido nas águas. O pato, vendo o falcão debaixo d’água, tomou um impulso com o rabo, subiu a superfície, abriu as asas e começou a voar. As penas do falcão encharcadas não o permitiram voar. O pato lá de cima gritou: - Eu posso voar no seu céu, mas na minha água, você afunda, quac”.
