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Me erra!

por Hélio Suzano
Que droga! Desculpe começar assim, mas, é o que sinto quando percebo que estou sendo patrulhado. A vida podia ser bem mais descomplicada e feliz se cada um olhasse o outro com olhos de amor. Às vezes, acho que o grande e único culpado sou mesmo eu. Eu, que teimo em continuar a me envolver em polêmicas; eu, que continuo a verberar o que sinto e vejo; eu, que continuo na ingenuidade quase burra, de achar que as pessoas nos olham com olhos de compreensão, de gratidão e de tolerância; eu, que continuo a cutucar onça com vara curta. Numa dessas, sou engolido vivo e ninguém vai se importar mais que 30 segundos.
Já me perguntei algumas vezes, como é que continuo a me meter em confusões. Como, eu que me expresso com tanta facilidade, utilizando as palavras, estou sempre sendo mal compreendido ou mal interpretado? Talvez falte clareza, simplicidade, foco, generosidade. Aquele que me escuta ou me lê não tem um mapa para decifrar o caminho do meu pensamento. Este deve ser meu maior desafio: fazer-me compreender. Mostrar que não sou infalível e nem perfeito; mas, também, não sou o vilão maquiavélico que me traduzem.
É uma droga ter que perder precioso tempo e espaço tentando traçar uma forma de evitar estas maledicências. Poucos se dão conta de que humildade, solidariedade e tolerância não são discursos de ONG’s ou de irmãs de caridade. São palavras que devem ser exercitadas e vivenciadas no dia a dia. Tanta gente nasce e morre sem conhecê-las em suas vidas. Falam por falar, despejam comentários aqui e acolá sem se preocupar nas consequências. Eu mesmo, já fiz comentários dos quais me arrependo profundamente.
Ser compreendido é um desafio nos dias de hoje. Às vezes, penso que seria bem melhor o silêncio. O som da voz ou a soma das palavras escritas muitas vezes podem dizer nada, desfazer laços e provocar atritos. O silêncio, por outro lado, pode suavizar as coisas como um antiácido no estômago.
Desmoronou meu projeto juvenil de viver numa harmonia linear e permanente. A vida real se mostrou dura e implacável. Para se construir uma realização pessoal, terá que tomar atitudes, escolher caminhos, decidir, reciclar, sofrer, errar ou, eventualmente, acertar.
Agora, eu tenho a vantagem e a oportunidade de construir um projeto de vida mais compatível com a realidade e com as possibilidades. Ser compreendido e aceito é o sonho de quase todo mundo. Dependerá de nossas atitudes e escolhas. E, no meio desta turbulência, poderá não perceber a importância deste movimento, que marca a diferença radical entre estar no comando ou ser um mero passageiro.
É preciso critérios para determinar quem merece uma explicação ou uma nova chance. O fato é que nada será como antes e esta é a melhor notícia que poderia receber.                                                                                                                              
Penso que tem me faltado um projeto em cumplicidade com nossos interlocutores. Um ideal para frear as divergências e rusgas que se eternizam na falta de diálogo e compreensão, e construir uma relação a guiar-se por um patamar mais firme, coeso, capaz de nos libertar do dilema das maledicências e das incompreensões que nos dividem, nos afastam e nos enfraquecem.

A Pata que despencou do céu
O Pato perplexo recebeu a inusitada visita de uma Pata. Ela veio do céu, bem na cabeça deste colunista tradutor de Pato. Uma Patona, de penas brancas que não fala a língua do Pato e muito menos, a nossa. O Pato acha que pode ser uma Pata bomba, pronta para explodir.
O Adauto acha que é um ganso - ou gansa? O pessoal do facebook acha que pode ser a cara metade do Pato ou, apenas uma bela pedida para o almoço. Enquanto isso, o Pato vai pegando a Pata - ou gansa?