Não basta ser pai!
por Hélio SuzanoAs mães são zelosas, cuidadosas, tanto que parecem chatas. São as educadoras, as disciplinadoras, as responsáveis. E toda menina sabe que um dia vai ser mãe. Essa informação preciosa parece vir no DNA delas. Uma vocação para a maternidade, para as dores do amor incondicional. A verdade é que “mãe só muda de endereço”.
Quem nunca recebeu aquele conselho: “Põe agasalho pra não gripar”. Contrariar o conselho é gripe na certa. Provavelmente, as mamães têm o endereço virtual dos santos. Por isso acertam sempre. “Vai chover, leva guarda-chuva”. “Estuda porque, senão, vai repetir o ano”. E por aí vão os achados, as preciosidades do baú das mamães.
Já os meninos crescem jogando bola, empinando pipa (quando ainda haviam pipas), grudado em joguinhos. São os queridinhos da casa. Eles sequer imaginam a paternidade quando crianças; sequer imaginam a paternidade quando adolescentes e até mesmo, quando adultos. Ela vem no supetão, no arrasto dos acontecimentos e do improvável. - “Sou pai: e agora?”.
A verdade verdadeira meus amigos leitores do JL: os pais nunca tiveram sua importância devidamente reconhecida. Talvez por serem tão diferentes uns dos outros. Cada pai é um novo pai. Dificilmente se repetem, como no caso das mães. Provavelmente porque a educação das crianças sempre foi na menina ser mãe e no menino, provedor. O pai é fruto do imponderável e delicado destino.
Aí, surgem os tipos de pai: tem o pai que foca no filho suas maiores ambições e projetos pessoais. E ainda tem o pai “tô nem ai”, que deixa por conta do destino e do acaso o futuro da prole. Tem papai “mão aberta” e “mão de vaca”; o papai linha dura e o “gente boa”. Tem o pai festeiro, o pai caseiro, o pai preocupado, o pai peladeiro e o cervejeiro. Tem o pai bons conselhos e o pai mau exemplo. Tem o papai que sabe tudo da vida da gurizada e aquele que, de vez em sempre, esquece até o nome da “princesa”.
Já ouvi falar muitas vezes de pai distante, que luta para o sustento da família, mas, pouco habituado ao carinho, ao afago amigo no filho. Pai que trabalha duro e, até mesmo por isso, perdeu a doçura. Conheço filhos de “papai” que tinham de tudo, mas tudo mesmo, mas não sabiam o que era ter um pai.
Acho que boa parcela dos papais exerce a paternidade burocrática. Aquele “amor” burocrático que faz o que a mãe manda: - “Obedece a sua mãe!”. É mais fácil empurrar com a barriga, geralmente avantajada, as responsabilidades. Afinal, “ela nasceu para isso, esperou nove meses, já tem intimidade com o traçado”. Esses estão sujeitos a se perderem no caminho de volta, porque seguem uma receita de bolo, onde a mamãe só muda mesmo é de endereço.
Educar, participar, interagir com os filhos é onde mora o grande barato de ser pai. Pai charmoso, pai esquisito, pai feio, pai engraçado, pai bobalhão, pai ausente, não importa. São todos únicos e maravilhosos.
Leio muito para escrever aqui. E os cacos vêm se somando, se colando, se alterando até surgir o texto que vocês lêem. Para fechar está coluna, lembrei-me de uma frase da grande escritora Martha Medeiros (não sei qual texto, sou muito bagunçado), que encerrava um pensamento mais ou menos assim: “há muitas como sua mãe, mas ninguém é como seu pai”.
Boa semana a todos!
O ASTRO
O Pato segue a receita do bolo: “Se for simples, a gente aproveita. Se for complicado, a gente resolve”.
Na política também é assim. É preciso aprender desde cedo que “o mundo não gira em torno de você”. O Brejal está cheio de maledicências. O importante é perseverar.
Não me perguntem o que quer dizer. Sou apenas o porta-voz do Pato.
