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Não somos frouxos. Somos acomodados.

por Hélio Suzano
Nem a mais desagradável das pessoas, nem a mais incoerente das declarações, nem o senhor imponderável. O que mais atraiu minha atenção nesta semana foi o perfil da sociedade valenciana. Aliás, da micro sociedade valenciana, passando a sensação de que, tudo que acontece é culpa de terceiros e que nós, sociedade, não temos nenhuma responsabilidade com isto e portanto, não temos também, nenhuma responsabilidade com a solução. Até mesmo acontecimentos impactantes como a crise da Santa Casa não parece doer na consciência desta micro sociedade. Nada.
Sempre me fascinou as circunstâncias históricas que desencadeiam os acontecimentos presentes e futuros. Esta minha inquietação me levou por pesquisas e por terrenos do conhecimento completamente desconhecidos para mim. É dessa forma que escorrego aqui e acolá na filosofia, na religião, no esoterismo, na política, na sociologia, na psicologia e até na psiquiatria. Quando falo micro sociedade valenciana, não tenho nenhuma - nenhuma mesmo - intenção de menosprezá-la ou diminuí-la. Apenas dimensiono seu tamanho proporcionalmente a população valenciana - muito pequena em relação ao tamanho de nossa população. E não tem nada a ver com aspectos financeiros ou educacionais. Tem a ver com a consciência de cidadania e de co-responsabilidade com a comunidade em que vive. Tem a ver com participação nas vitórias e nas derrotas. Lembro um filme de guerra que mostrava o comprometimento dos soldados num esforço final, sendo atingidos por granadas, voando junto com os estilhaços ao som da brutalidade de uma guerra e sob o comprometimento, a entrega, o sentimento de dever à pátria.
Aqui em nossa seara, poucos, pouquíssimos têm noção de nossa responsabilidade com tudo que nos aflige. O fechamento das fabricas na década de oitenta não mobilizou a sociedade para encontrar caminhos; as crises sucessivas da Fundação Educacional Dom André Arcoverde não encontraram eco em nosso meio comunitário e social; as crises crônicas da saúde nunca encontram vozes coerentes e solidárias para debate de soluções; as peripécias da Justiça Eleitoral, marcando e desmarcando eleições, cassando e “descansando” o prefeito, nunca empolgou a sociedade a tomar um partido uma posição. Somos sempre levados pelos acontecimentos, passageiros das desventuras. Na cidade do “tudo pode”, do “amigo do rei”, preferimos passar procuração para algum incauto supostamente corajoso, nos defender. Ser nossa voz. Sei disso por que já fui e continuo sendo um desses incautos. A todo o momento alguém vem assoprar no meu ouvido alguma indignação, esperando que eu possa fazer alguma coisa. Alegam que “não podem se expor” por causa disso ou daquilo. Uma cidade de frouxos? Uma cidade de apadrinhados? Uma cidade de coronéis? O que somos afinal? De onde viemos e para onde vamos?
A coisa não tem que ser apressada. Como ondas, que se formam com vagar, e depois quebram demoradamente, fechando em si mesmas, soltando espuma, gotas numa coreografia de extasiar. As águas nunca são aceleradas. A natureza não é acelerada, ela sabe que é dona do tempo.
O mesmo deve ser conosco. Devemos cada vez mais participar deste organismo vivo que é nossa cidade. O nosso envolvimento, a nossa responsabilidade vai produzir um efeito avassalador. Vamos poder varrer com estes profissionais da política pirotécnica que perambulam pelas ruas comemorando e vociferando as tragédias valencianas sem qualquer substância. Vamos poder calar a boca dos demagogos, oportunistas, fofoqueiros que torcem pelo touro. Vamos poder dar forças para aqueles que têm projetos, tem discursos, e tem participação. Nosso envolvimento vai trazer os holofotes para nossas prioridades, para a verdade dos fatos. E diante da verdade, a mentira chega a ser ridícula.
Sem pressa de chegar, sem restrições ou preconceitos, vamos participar mais. Nos fóruns adequados: associações, conselhos, igrejas, Câmara de Vereadores, audiências públicas e debates. Vamos cobrar eficiência na gestão, a cidade esta repleta de gargalos. É só olhar em volta (...). Um carinho faz bem. Uma página inteira de amor por esta cidade e por seu povo que, aliás, é a maioria absoluta, graças a Deus.