O dia seguinte
por Hélio SuzanoPor isso, quando me reporto a alguma figura política local - seja para elogiar ou não - a questão transforma-se numa arriscada missão em território minado. Contudo meus caros leitores, “perco a amizade, mas, não a piada”, ou no caso, a batalha.
O amor à guerra e a política se assemelham muito. Numa batalha política não se perdem braços e pernas amputadas, nem vidas e territórios, mas pode se perder o equilíbrio e em alguns casos até a compostura.
Tudo que foi dito nestes três parágrafos serve para justificar o que vem a seguir. Vicente Guedes torça ou não seus narizes, é uma figura, é o cara! Seja por cultivar estrategicamente mistério em torno de sua personalidade, com suas raríssimas aparições em público, ou seja, por toda a confusão jurídica/política provocada por sua candidatura e pela desastrosa atuação da justiça eleitoral.
Em todo o imbróglio, de seu afastamento, das eleições marcadas e desmarcadas duas vezes, da posse de um terceiro prefeito até seu retorno em meio a toda aquela revolta, manteve-se altivo, discreto. Não cutucou onça com vara curta e nem tão pouco se deslumbrou com a possibilidade de revanchismo. Foi diplomático e astuto. Uma raposa. Não restam dúvidas de que trás marcas imperceptíveis a olho nu em sua couraça. Mas sobreviveu e voltou com fôlego renovado caminhando sobre seu próprio rastro com a possibilidade de corrigir eventuais erros de avaliação do passado.
Hoje, em meio a uma brisa, Vicente Guedes começa de fato a governar e a dizer a que veio. Deixando de lado o sensacionalismo das declarações bombásticas de verbas que vem e de cifras repletas de zeros, ele começa a realizar importantes obras em nosso município. A reforma do Mercado Municipal, o muro da Chueke, reforma da infraestrutura urbana de bairros, o asfalto da Passagem, o apoio político a atuação do secretário de Saúde, doutor José Rogério, são exemplos reais. Uma disposição impar de governar com todas as forças políticas, buscando o auxilio do líder do Governo, deputado André Correa, do presidente da Câmara, vereador Paulinho da Farmácia, o entendimento com lideranças oposicionistas, tudo para viabilizar suas ações e intervenções.
Não há razão para confundir posicionamentos ideológicos e partidários com a administração pública. O tempo das retaliações e rancores já passou, deixando um rastro de ineficiência e prejuízos para toda população. Mas ainda há os que preferem não se arriscar, mantendo-se na mesma trincheira sem se mover, acuado, encobertos da guerra. Mas, cedo ou tarde ela os alcança. E como numa janela, lhes apresenta a cidade enrugada, de olhar opaco, repletas de marcas e feridas. Tudo por que optaram por não se arriscar ao entendimento.
Não sou destes. Prefiro correr o risco de me apaixonar pelo “inimigo” a não buscar o entendimento. Existem muitos que procuram se esconder de suas emoções, lutando em silêncio contra forças muito superiores às suas. Setores oposicionistas vivem hoje os dilemas de amor e ódio com Vicente.
Por tudo isto, somos convidados a assistir nos próximos dezessete meses à desenvoltura desse governo, sua capacidade de superação, articulação e diálogo, para no fim saber se acima dos estereótipos e preconceitos, de fato acertamos em nossa escolha. Tomara Deus que sim, pelo bem da cidade.
Está na moda ser ruim.
Observando o entorno com seu olhar canídeo, vendo o desempenho das aves e insetos no Brejal assistindo a rudes e dureza de suas ações, o Pato concluiu que é requisito obrigatório em qualquer profissão para o sucesso ser ruim. Não há no Brejal moderno, espaço para a inocência. Aqui, gentileza não gera gentileza. Isso é pichação de desocupado em viaduto. É preciso ser duro para sobreviver no Brejal. Quem não tem culhão para aguentar o arreio não se cria. O sucesso tem seu preço. O Brejal não é mais um lugar seguro, avisa o Pato.
