O dono da verdade
por Hélio SuzanoConheço diversas pessoas assim, que se apossaram da verdade de tal forma, com tal ímpeto e intensidade que agem e pensam como donos absolutos dela. Em qualquer assunto ou discussão, a palavra final, a sentença definitiva vem dessas pessoas, iluminadas pela verdade. Geralmente são desinibidas, até alegres, mas não conseguem controlar essa mania. Ficam ansiosas para dar sua opinião. O problema é que, essa opinião é definitiva. Parece um costume, um vício, um desses “vícios de comportamento” incontroláveis, que não permitem a ninguém que termine uma fala ou um pensamento. Coisa de maluco mesmo.
Tenho um amigão que sofre desta enfermidade de forma quase incorrigível. Por muito tempo ele dominou a verdade, usando-a a seu bel prazer. Uma coisa, uma característica que foi contaminando seu ambiente, deixando-o solitário e deprimido. Com o tempo, começou a perceber que a verdade, talvez não fosse bem aquela. Uns safanões aqui e acolá, uns vexames e hoje, se não está totalmente curado, pode-se dizer que consegue se conter um pouco. Pelo menos finge que a verdade esta por ai. Ele ouve o que os outros têm a dizer, mas ainda fica com aquele ar de que, “não é bem assim”. Mesmo diante de fatos e argumentos irrefutáveis. Mas, já foi um grande avanço para todos.
É bom ressaltar, amigos leitores, que não se tratam de vilões ou pessoas más. São ansiosas na busca pela solução do problema. Não conseguem esperar que outro conclua seu pensamento ou que o aludido pensamento não coadune com a sua tese. Essa pessoa quer sempre que sua tese prevaleça. Nós, pessoas que não sofrem desta doença, sofremos demais. Parece que o sujeito está com um ponto eletrônico no ouvido.
O diálogo com estas pessoas pode se tornar num monólogo onde ela fala brilhantemente, enquanto nós, meros ouvintes, concordamos com tudo. Eu confesso: não tenho a menor paciência com essas pessoas. Principalmente porque parecem - muitas vezes são - arrogantes e prepotentes. Sabem tudo e de tudo, um saco! Perdem a oportunidade de aprender ouvindo o que o outro tem a dizer. Boca fechada não entra mosquito, já dizia meu saudoso pai. Às vezes você até pode ter razão, mas é de bom tom ouvir outras opiniões. Delas você pode até chegar à conclusão que a verdade é outra. Quem sabe?
Os “sem noção” do Brejal
O Pato está no limite de sua paciência. Assiste um festival de micos por todos os lados. Na oposição, na situação, no centro e no muro. Todos querendo aparecer, pegar carona nas soluções e nas tragédias. Até nas festas. Santa Casa virou palanque para pica-pau; Cedae virou holofote para tamanduá; folia de Reis virou palanque para bem-te-vi. Um festival de constrangimento e autopromoção. Isto sem falar nos bajuladores baba ovo, que rodeiam as figurinhas sem noção. Coisa de vira-bosta mesmo.
Quer ajudar? Quer colher frutos eleitorais? Beleza, diz o Pato. Mas, faz com critério, bom senso, delicadeza e oportunidade. Explorar questões complexas, festas populares e púlpito de igreja, é feio, é mico.
Da mesma forma, é um mico levar puxões de orelha do Zé do bairro. Tempos bicudos. Nosso Brejal está cheio de figuras sem noção. Difícil defini-las como um bicho. Nem os vira-bostas são tão sem noção.
