“O que será o amanhã? Responda quem puder”
por Hélio SuzanoO que existe entre as decisões tomadas, entre os caminhos escolhidos e os descartados? Provavelmente, vamos descobrir que sofremos mais com as coisas que imaginávamos que iam acontecer do que com as que aconteceram de fato. Certos riscos compensaram? Aquela fuga foi acertada? Reconhecer um problema é o primeiro passo para tentar resolvê-lo. É que, todas as escolhas em nossas vidas, geram dúvidas e perdas. Mas as perdas não são o fim.
O ano de 2011 foi surreal. Começou com um vereador elevado a prefeito e termina administrado por um prefeito reempossado. Entre erros e acertos, em meio ao imbróglio provocado pela Justiça Eleitoral, avançamos com o fortalecimento dos movimentos populares e sindicais, com a retomada dos investimentos externos e com uma nova configuração política entre oposição e situação.
A população, ainda que timidamente, começa a perceber que sua participação no jogo é fundamental para que as coisas aconteçam. E esta participação não se restringe apenas a eleições, mas a todo o processo, desde as votações da Câmara, as escolhas dos partidos políticos, até a fiscalização das obras e decisões do Executivo. A força da opinião pública mobilizada operou verdadeiros milagres na administração pública municipal neste ano de 2011. Mas ainda são exceções a uma regra de omissão e apatia na cidade do “tudo pode”.
O Executivo mantém sua forma – estratégia - de governar a distância. Captando verbas e investimentos que, aos poucos, vão imprimindo uma dinâmica de realizações no contexto da cidade. Mas, infelizmente, gargalos de décadas persistem. A mistura de coalizões e apoios deixam surdos seus membros e embrutecem decisões. O diálogo muitas vezes vem depois do leite derramado. Por outro lado, a oposição continua inoperante, sem projetos, baseada unicamente no personalismo e na pirotecnia demagógica de seus atores.
É preciso destacar algumas conquistas: a valorização salarial do funcionalismo público, o concurso público e a retomada das obras federal e estadual no município são uma vitória. A fiscalização da imprensa sobre o uso das benesses oriundas da lei André Correa, pelas empresas instaladas em Valença, corrige erros e apontam para a necessidade de uma maior participação da sociedade, da Câmara de Vereadores e do Executivo neste processo. O sucesso de nossas faculdades talvez tenha sido a maior conquista de 2011. Com excelentes notas no ENAD, a Fundação Dom André Arcoverde se destaca a nível nacional, reconquistando prestígio e retomando seu projeto de crescimento e realizações.
No apagar das luzes do ano algumas notícias nos entristeceram. Num momento de tantas isenções de impostos e com tantas linhas de créditos, como a USIVAL pode fechar? Logo agora que parecia revigorada com notícias alvissareiras da chegada da Nissan em Resende e a possibilidade de mais trabalho? Quanto a Santa Casa, o fechamento já era esperado. A problemática das “Santas Casas” Brasil a fora é uma questão sem saída. Já falamos sobre isto aqui. Talvez agora, à mesa, se chegue a uma decisão única e definitiva para o bem da saúde de Valença.
Não foi um ano fácil, mas foi decisivo para nosso fortalecimento como cidadãos. Acho que, na média, a população começou a enxergar melhor seus atores e o contexto do teatro em que vivemos. As mesmas coisas que nos exibem, também nos escondem. Há um pouco de incoerência, ingenuidade e imoralidade em cada um de nós. O fundamental é encontrar o equilíbrio. Nossa participação efetiva, sem melindres, sem covardia será fundamental para o sucesso em 2012.
Feliz Ano Novo!
