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Opinião pública

por Hélio Suzano
Ao ligar a TV ou abrir uma revista, vamos em busca de informações que de um modo ou de outro, vão influenciar na formação da opinião. Aqui em Valença não é diferente, a cada semana, na esteira da manchete principal, vende-se mais ou menos o JL. A opinião pública vai - ou deveria ir - se moldando na bagagem das informações e discussões. Por um bom tempo acreditei nisso. Acreditei também, que um bom discurso, pautado em bons propósitos e projetos, e em ações sólidas e positivas poderiam gerar resultados efetivos à sociedade; e que os formadores de opinião, trabalhavam para fornecer subsídios à discussão e ao pensamento.  
De um tempo para cá, meio que caí na real das coisas. Comecei a perceber que nem sempre é assim e que os “formadores de opinião” - todos somos -, engessados na capacidade de argumentar, viram diminuídas suas possibilidades pela nova mídia, que empobrece a discussão, e por uma população cada vez mais desabituada a leitura. A deriva, movida pelo consumismo e por uma perspectiva cada vez mais desatrelada do conhecimento, a opinião pública se rende à efemeridade de escândalos e causas mediatas. “Vende-se” ideias que logo ganham as ruas com uma aceitação imediata.  
A TV cria discussões e polêmicas a todo instante. Criam e descartam, com a mesma rapidez ideias e conceitos, mocinhos e vilões. Questões como homofobia, racismo, maconha, ao longo dos capítulos da novela, são defendidas pelos personagens e ganham as ruas. Da mesma forma, desaparecem e são esquecidas, encobertas por outros temas que logo serão esquecidos. O que vemos são pensamentos prontos, estáticos, construídos sem argumentação, sem contraditório. Quase sempre, modismos.
Os políticos nadam nestas ondas. Aliás, para os governantes, quanto menos envolvimento da população, melhor. Fica mais fácil sem fiscalização. Um amigo que foi a Argentina recentemente, se espantou com a quantidade de  manifestações públicas nas ruas. Segundo ele, a opinião pública argentina se manifesta para tudo e por tudo. E ele me falou isso em tom de crítica. “Hélinho, como são atrasados estes nossos vizinhos”. Acontece é que, perdemos o hábito de nos indignar. O resultado é o pouco caso generalizado da população com as práticas de nossos políticos. A opinião pública não esta nem aí se fulano de tal foi flagrado delinquindo. Continuará em alta.  
Como consequência, temos o esfacelamento geral dos valores basilares. O preço são essas excrescências, que continuam a infestar a vida política nacional e local. Olhando o que temos, francamente, vocês se vêem refletidos? Então, como chegaram lá?
Não sei quando ou se alguma coisa vai mudar depois do que estou escrevendo. Provavelmente nada. Mas, por ter alguma voz, sinto a necessidade de expor minhas aflições. Eu, francamente estou sem paciência com tudo isso. Na avassaladora maioria, somos gente boa. Mas, até quando aceitaremos o cabresto?
O Astro
O Pato não acredita na historinha de mocinho e bandido. Até por que as coisas não estão claras. Ninguém sabe quem é o alemão.
Por isso a passarada anda tão discreta. Ninguém defende ninguém. E também, ninguém ataca ninguém. A exceção vem da oposição dos Quero-quero e Bem-te-vis. Mas, servem apenas pra confirmar a regra. O pato rejeita rótulos, mas acredita em posicionamentos claros e transparentes.