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Paixão pela educação e família

por Hélio Suzano
Quem me conhece e acompanha minhas colunas sabe que tenho na família a base mais sólida de sustento à dinâmica da vida moderna. A realidade mostrada o tempo inteiro no noticiário, é testemunha da urgência de sermos mais lúcidos e verdadeiros, a fim de não deixar que a semente da humanidade morra por falta de cuidado.
Hoje, o colo, o abraço, a escuta ou a palavra são exceções numa vida corrida e corrompida por contravalores. A brutalidade, a obscenidade, a ganância, o jogo de interesses e de valores dominaram a cena da família moderna. Já não se formam mais pessoas dentro de muitos lares. A responsabilidade da escola é agora, ainda maior que outrora.
Em muitos cantos e recantos, a família transformou-se numa lenda distante, quase utópica. Quando escutamos que o “Bolsa Família” veio para tirar as famílias da miséria e da exclusão através do “incentivo” financeiro, de imediato me vem à pergunta: e a moradia digna? E a saúde? E a educação? Trio sem o qual viramos bichos. Assistimos calados, omissos, crianças pelas ruas dos grandes centros perambulando, perdidas, talvez drogadas, sem perspectivas, sem amor, sem conhecerem um ambiente familiar. E essa realidade já começa a chegar no interior, nas pequenas cidades como Valença. Famílias desestruturadas, sem orientação, sem autoridade, sem os cuidados básicos consigo mesmas.
E a nossa escola está pronta para esse desafio? E a educação? Onde ficou este elo perdido? Educação, essa palavra batida na boca de políticos em época eleitoral; esse discurso vazio na boca de demagogos descompromissados com o futuro. A educação deixou de ser a ferramenta de inclusão social, de aperfeiçoamento do ser humano, de transformação da realidade. Deixou de ser a doutrina da orientação, da medida certa para ser um instrumento de achincalhe de todo o sistema. Hoje, a escola pública preocupa-se em encher as salas de aula, diminuindo a evasão escolar. Esqueceu da qualidade do ensino, da excelência dos mestres, da base familiar dos alunos e do contexto onde vivem. A educação não vive de discurso. Ela não se restringe a caderno e lápis, mas começa com a tentativa de resgatar a criança daquele meio com um atendimento básico em saúde, conceitos elementares de higiene, afeto, respeito, limites, disciplina e autoridade. Onde a família virou pó, essencial é a ideia de uma escola inclusiva e de qualidade.
Construir uma escola de qualidade e para todos, capaz de erradicar a miséria que se alojou no íntimo das pessoas, muito provocada pelo abandono e por condições inimagináveis de vida, é o maior desafio para nossa geração. Reestruturar nossa participação social e política a partir de nossa comunidade, exigindo de nossos administradores/autoridades, prioridade para a educação pública de qualidade, nascida de uma discussão em que a questão salarial dos professores, a questão de qualificação destes mesmos professores, a questão da metodologia didática do ensino e, também, a questão da capacidade física e logística das escolas estejam na crista da onda.
Quem anda pelas ruas e conhece a realidade do povo de Valença, sabe que a única saída, custe o que custar, enfrentando reclamações e joguinhos de poder, encarando os desafios da estagnação econômica e social, é a melhoria da limpeza e da iluminação pública, da ordem urbana, da eficiência dos serviços, é investindo no professor para construirmos uma escola descente, viva, de qualidade e inclusiva, que possa produzir cidadãos para nossa futura engrenagem social.

O Pato antropólogo
O Pato torce pra tudo dar certo no Brejal. Torce pelas verbas anunciadas; torce pelas casas anunciadas; torce pelo sucesso do toureiro. Essa história de torcer pro touro é coisa de vira-bosta. Mas, o Pato avisa: - “Tem gente aí que deve tanto ao Brejal que, se chamar sua esposa de meu bem, o banco toma”...