PUBLICIDADE Assine Anuncie_edital

Segunda-feira chuvosa é assim

por Hélio Suzano
Hoje é um dia excelente para refletir, reciclar preocupações, reeditar esperanças, comemorar vitórias e chorar derrotas. É segunda-feira, a primeira do novo ano. Lá fora, a chuva insiste em cair, molhando tudo, inundando de melancolia e sofreguidão os corações. De fato, não é mesmo um dia comum e, enquanto os ponteiros atrevidos do relógio insistem em correr, vai ficando claro que o tempo passa, que o tempo não para.
Olhando o Breno brincando com uma velha bola de futebol, chego à certeza de que felizes são as crianças pequenas. Isto quando não estão com fome, sono, frio ou em desamparo. E quando estão brincando junto às mães, rindo num volume máximo de felicidade, é tudo de bom. Pena que, logo elas crescem e tudo ficará mais complicado. As frustrações e decepções irão se acumulando, tornando uns e outros amargos e revoltados. Apesar de que outros tantos, graças a Deus, conservaram a alegria infantil por toda a sua vida. Assim espero do Breno.
Pensando nisto, gostaria muito que as mudanças ocasionais não mudassem meu humor. Mudar meu humor seria me arrastar para a cova funda e fria das pessoas ranzinzas, desconfiadas, intolerantes e pessimistas. Seja como for as mudanças em 2012, que eu e todos que amo consigam manter, de certa forma, nossa felicidade infantil.
No sábado, véspera da virada do calendário, enterramos o amigo Marcinho da FAA, no apogeu dos seus trinta e poucos anos. Acho que este fato me deixou ainda mais catatônico nesta segunda-feira. Minha intenção hoje era escrever sobre projetos e caminhos para nossas vidas. Mas não sou dono da inspiração que move as teclas do computador. Torno mais uma vez a escrever sobre assuntos que nem domino. A consciência do provisório me inundou até a alma. A efemeridade de tudo nos mostra que mais pode ser menos.
O grande desafio que percebo para este ano é renunciar àquelas fantasias idealizadas e aceitar a realidade do mundo possível. Parece cruel, mas são de suma importância decifrá-lo e aprender a viver sem queixas, lutando para torná-lo mais adequado às nossas exigências e necessidades.  
Creio que assim, se esvai o pessimismo que navega na alma daqueles que não conseguem conviver com a realidade. Não é uma fórmula pronta para a felicidade. Mas, reconhecer suas limitações e inadequações é premissa para deixar a chatice de lado. Ainda que a chatice não seja de todo mau. Tem um amigo que afirma que os chatos são, na verdade, pessoas românticas e otimistas ao seu modo, porque desejam que tudo seja melhor. O problema deles é que, erram na dose e na forma de consegui-lo.
Enfim, começamos 2012 abertos a projetos e desafios. Talvez nem todos sejam alcançados. Isto não é para constranger e nem desanimar. É só mais um tempero da vida real para que nos sintamos mais dispostos e preparados para buscar um incremento para os nossos dias em 2012.
O PATO de segunda-feira
 O Pato acredita que, em 2012, os corruptos continuarão afanando o dinheiro público; que a Corte máxima da Justiça continuará mais preocupada com seu umbigo; que a massa da patuleia continuará mais atenta ao desfecho do Pereirão do que do mensalão; que as eleições municipais irão consagrar a máxima de que, “quem tá dentro não quer sair nem a pau”; e que a ficha suja não é tão suja assim. Alegrias de uns, tristeza de outros. Assim caminha o Brejal.