Sinais de esperança
por Hélio SuzanoEsta questão, da saúde, é polêmica no Brasil inteiro. Os repasses do SUS são insuficientes e defasados, as demandas são enormes, faltam médicos e respostas. O gargalo da ineficiência e do desperdício draga os escassos recursos. Valença se destaca neste cenário por ser dotada de boa estrutura física hospitalar e se dar ao luxo de abrigar uma Faculdade de Medicina. Ainda assim o problema saúde em Valença é dos mais graves.
As Santas Casas, atualmente, são um óbice à saúde pública. São do tempo em que os Provedores, figuras notórias, de grande poder aquisitivo e político, faziam as suas custas às despesas. Foram fundamentais num tempo em que os governos não tinham qualquer responsabilidade. Com o advento da Constituição Federal de 1988, a criação do Sistema Único de Saúde, o SUS, seu futuro tornou-se um problema para toda a sociedade resolver.
Hoje convivemos com alguns dilemas: a necessidade de unificação dos serviços de saúde. Não entram na minha cabeça dois hospitais com despesas e comandos duplicados, leitos ociosos e verbas repartidas, quando o correto seria uma só administração, serviços distintos e unificados com despesas únicas e menores. Poderíamos ver florescer a criação de centros de especialidades, a gestão profissional com capacitação de pessoal, enfim, um funcionamento como um todo da saúde com decisões firmes, rápidas e corajosas. Muita coisa a se fazer, mas assistimos disposição e capacidade na equipe que nos encorajam a acreditar.
Enquanto a gestão da saúde vai avançando, em outras áreas, ainda assistimos problemas que nos preocupam. O compadrio e as disputas por espaço político contribuem para a ineficiência crônica dos serviços públicos. Este cenário vem desde os áureos tempos dos Barões do Café com seus milhares de escravos até o final do século, com as oligarquias remanescentes. De lá para cá, fortaleceu-se com bases fortes e consistentes. E até mesmo, com a aquiescência da população que aderiu às facilidades do jeitinho e da esperteza. O fechamento das fábricas e o êxodo do campo só fizeram piorar a situação. A Câmara de Vereadores, por sua vez, na sua história, por sua própria vontade, veio progressivamente renunciando a sua função original de legislar e fiscalizar o Executivo. Soma-se a isso tudo, nosso sistema eleitoral e nosso permissivo sistema partidário. Estes dois produziram uma usina de compostagem ética, moral que comprometeu o resultado final.
O que vemos agora são tênues sinais daqui e dali mostrando que possa haver algum avanço. Atualmente está em curso, em nossa Câmara, um movimento silencioso dos Edis no sentido de retomarem a função precípua do legislativo municipal. E esta ação de independência e equilíbrio, coordenada pela atual mesa diretora, se exitosa dará muitos e preciosos frutos à Valença.
Ficamos na torcida de que o exemplo da saúde “contamine” todo o sistema político e administrativo de nossa cidade. Será muito bom viver num lugar onde não haja achaques e manobras para favorecimento de grupos. Que sonho. Seria a confirmação mais aguda de que dá pra fazer.
O PATO DE PÁSCOA
Todos nós temos na Páscoa de Jesus Cristo o renascimento da esperança na humanidade. Graças a Ele, ao seu sangue derramado na Cruz, podemos viver em plenitude como irmãos. Sou um Pato, obra do Criador e Creio na Ressurreição!
