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Só acreditando chegamos lá

por Hélio Suzano
Notícias como o câncer do ex-presidente Lula e do ator Giane, e mortes de amigos próximos têm me angustiado demais ultimamente. A efemeridade da vida terrena, o imponderável diante dos olhos, me assusta. Nesses momentos, para fugir da depressão tão em moda, é fundamental ter a noção de que tudo passa. E a religião pode ser uma saída, iluminando essa paisagem, dando conforto e coragem. Num tempo em que ninguém mais acredita em milagres; em que as pessoas preocupam-se com seus umbigos; que o mundo mergulha numa grande depressão econômica, política e ética, confiar, ter fé é o que nos resta para continuar a caminhar.
Mesmo nos Estados Unidos, a busca por conforto espiritual e milagres chegou com força, movida pela onda de desemprego e desesperança. E não só na miserável região do vale do rio Mississipi e seus canais, mas também nos grandes centros econômicos e políticos onde cultos Batistas são a expressão deste momento.
Quando penso na morte, penso imediatamente em Deus. Não num “mestre dos magos” capaz de mágicas e façanhas, mas num alento que me encoraja e ampara. Há inúmeras pessoas que insistem em pensar, acreditar e até esperar que Deus, num passe de mágica, transforme suas vidas. Geralmente esse desejo vem acompanhado de desejos acessórios como, por exemplo, o mínimo esforço possível. Dessa forma, essas pessoas mantêm a ilusão por algum tempo até que, sem o resultado esperado, acabam por esmorecer, desanimar e se revoltar com Deus. Essa gente não sabe que, para acontecer um milagre deve haver sacrifício, esforço e fé. Para Jesus curar o cego foi necessário o seu clamor e sua fé.
Quando Jesus foi extraído da divindade e colocado entre nós, valores do sacrifício, da humildade, da perseverança e da misericórdia ganharam contornos e forma na história da humanidade. Um Deus homem, com todas as suas limitações e contradições. Um salvador a serviço, que se entristece e se angustia e nos dá pista para uma vida melhor. Parece que os milagres dependem muito das atitudes que tomamos em relação as nossas vidas, em relação à vida dos outros. Nossa postura diante das coisas, dos desafios, das encruzilhadas é a senha para uma vida mais equilibrada e feliz.
Mesmo os mais céticos hão de aceitar que somos frutos de nossas escolhas e atitudes. É a lei do retorno meus amigos. Não é questão de ser mórbido ou fatalista, mas é encarar a vida que amanhece todos os dias como a vitória sobre a morte. E o que estamos fazendo dessa vida? Nossa postura tem sido contraditória. Missas apinhadas de gente que confessam: “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”. Buscam milagres sem sacrifício, sem comprometimento, enquanto nas mesas das casas falta tudo, inclusive paz de espírito.
De forma comovente, sem cair na cilada de ser piegas, a busca por conforto e milagres nos remete ao que todos intimamente sabemos, mas, insistimos em negar: milagres existem e devem ser conquistados dia após dia, através do trabalho, da dedicação, das atitudes e escolhas. Da fé e da oração que fortalecem o espírito. Só acreditando chegamos lá.

O Pato e a oposição

Pelo menos nos livros, democracia requer situação e a oposição. A situação são os governistas e a oposição, os que almejam o governo. Aqui no Brejal, a oposição parece anestesiada, assistindo a tudo passivamente. Oposição que não se posiciona, não se apresenta, completamente inoperante. Vai perder o pescoço na guilhotina eleitoral.