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Tropeços na concordância

por Hélio Suzano
Essa semana, um leitor fiel desta coluna me “chamou a atenção” para um “pequeno” escorregão gramatical. Coisa pequena, da qual poderia bem passar batido. Ou então, recorrer à velha e boa desculpa do “erro de impressão”. Mas, como sabem, é traço peculiar meu não tergiversar ou me omitir. Procuro sempre a transparência e o equilíbrio.
Eu ainda poderia ponderar sobre o excesso de preciosismo. Mas, não é preciosismo e sim, precisão. A língua escrita precisa ser precisa, correta, regrada e responsável. Ela é para sempre, como dizia o saudoso professor Yago da Costa Faria, nas inesquecíveis aulas de Direito Romano - “Enquanto um erro médico desaparece por debaixo de sete palmos, o erro grafado é para sempre”.
Em defesa própria, e de todos os corajosos que se arvoram a escrever semanalmente para um jornal, posso dizer que os textos são sempre escritos na última hora, a reboque da inspiração e dos acontecimentos. Talvez, quem sabe, mereceriam uma “lustrada” final de uma revisora - coisa de grandes centros.   
Independentemente disso, fico feliz com a qualidade e com o carinho dos leitores. A língua é nossa identidade, nosso maior patrimônio. Da minha parte, é obrigação o esmero na escrita, até mesmo, por que devem ter professores meus lendo e eu não gostaria de decepcioná-los.
Contudo, conto com a condescendência de vocês com estes pequenos tropeços - inclusive neste texto. Sintetizar pensamentos semanalmente, convenhamos, é um desafio monumental.
Os sugadores de almas
Algumas pessoas passam à vida toda na posição de vítimas. É uma vocação absurda para estarem sempre naquela posição de coitadinhas, de sofreguidão e desamparo. Seu comportamento é sempre na mesma sintonia, no mesmo volume. Tem-se a impressão que elas pensam que não dispõem de qualquer controle sobre suas vidas. E a culpa é sempre dos outros.
A vida dessas pessoas é encontrar algozes que justifiquem suas frustrações e desencantos.  Não importa o quanto às pessoas procurem auxiliar, ajudar mesmo, nunca é suficiente. Elas acabam por sugar a energia dos outros feito sanguessugas; feito morcegos vampiros.  
No seu inconsciente, essas pessoas, essas “vítimas”, acham que tem sempre mais a receber. Tudo que receberam até aqui foi pouco, foi muito menos do que tem direito; muito menos do que mereceriam. São vocacionadas para o sofrimento, a angustia, a solidão, a autoflagelação. Não dão valor ao que tem, ao que outros fazem por elas.
Difícil demais lidar e conviver com pessoas assim. Tenho certeza que você meu caro leitor, conhece alguém assim. É difícil, não é? Como lidar com elas sem nos contaminarmos com o seu negativismo? Como conviver com elas sem nos estressar e nos violentar? Como podemos ajudá-las?
Acho que a resposta está na importância que essas pessoas despertam em nossas vidas. Com qualquer um, é só virar de costas e ignorar. Mas, ao contrário, se forem importantes cabe aqui um conselho: é preciso limite. Ficar dando sem receber, atendendo a todos os seus caprichos, pedidos ou súplicas, não resolve, não ajuda.
Essa pessoa precisa merecer o que você tem para oferecer.

O mico do semáforo
O Pato encontrou o Mico na porta do Fórum. O primata estava lá para reclamar de plágio. Segundo ele, “o semáforo do brejal anda pagando o mico com moeda sem valor”. Semáforo meia bomba é demais. - “Não funcionou direito sequer dois dias seguidos”, anunciou o Mico para o Pato. Parecem aqueles equipamentos sucateados da antiga Varig. Um mico a altura do King Kong.