Um compromisso para a felicidade
por Hélio SuzanoEsta é uma história de amor. O dia do casamento de César e Miriam, numa cerimônia simples, na capela de Nossa Senhora das Mercês, na Associação Balbina Fonseca, preparada para celebrar o compromisso do casal com os dogmas do matrimônio e com a busca pela felicidade. Sorrisos intermináveis, reverências, cumprimentos protocolares, uma igreja imantada pela alegria contagiante do casal, das famílias e amigos. Acima de tudo, uma relação de felicidade compromissada e madura. Uma história de amor com todos os ingredientes de reciprocidade, leveza, afinidades e planos.
Ninguém acorda de um dia para o outro pronto para romper com receitas consagradas. É um passo depois do outro num testemunho cotidiano de vida. Poderiam sentar-se ao lado dos netos e saborear este epílogo com altivez, afinal, “da vida já tiveram sua fatia de felicidade”. Mas Miriam e César não abriram mão da “ousadia” do recomeço. Ao lado de filhos, netos, amigos e lembranças, inauguraram uma nova relação.
O brilho nos olhos do outro, a secura da boca, a respiração acelerada e ofegante provocando arrepios na espinha e frio na barriga. O amor é tal qual em qualquer fase da vida. Penso que no inicio deve ter sido atormentador. Depois de certa idade, os protagonistas tornam-se veteranos e trazem marcas em suas vidas. Se abrirem para um novo relacionamento, para uma nova história não deve ser fácil. Agora num outro estágio de maturidade onde os gostos são percebidos, os detalhes degustados de forma a contemplar cada sabor. Não existe relação melhor ou pior. O que existe é o amor. É deixar o outro respirar sem asfixiá-lo. Amar, em qualquer idade, em qualquer quantidade, nunca é demais. Uma relação serena, onde as individualidades do outro são preservadas. Como o casamento dos príncipes ingleses, este casamento serviu para colocar este sacramento de compromisso na moda outra vez.
Impossível me manter neutro diante desta história. Num tempo de relacionamentos frívolos e efêmeros, assistir a opção madura de dois viúvos por uma nova relação abençoada pelo sacramento do matrimônio, com tudo que representa: fidelidade, compromisso, responsabilidade é a prova mais inequívoca de que o amor venceu.
Toda emoção é irremediavelmente indomável. É sempre um mistério. Buscar conexões entre seus desejos e expectativas nas atitudes, moldando-se numa sociedade repleta de regras e liturgias não é fácil. Mas a moral desta nossa historinha é basicamente a história de sempre: estamos sempre passíveis de nos surpreender com a vida.
Termino esta coluna com os desejos protocolares de felicidades aos noivos e gratidão por ter sido testemunha ocular desta história que ensina: o amor nunca sai de moda.
Viva os noivos!
O PATO
O pato não conhece a palavra rendição. É um garimpeiro do brejal, sempre em busca de preciosidades. Quer sempre cavoucar o porquê de tudo. Tornou-se um vitorioso sem aperceber-se disso. Nessa tocada vai escrevendo sua história. Um pato que sabe demais e não resiste a uma boa piada. Diverte-se com os vira-bostas e gosta de atormentar os chupins. Às vezes bipolar: tudo é mistério, tudo é instável. Sorte de quem consegue se equilibrar nessa corda.
