Uma difícil decisão
por Hélio SuzanoDe certo modo, esta minha característica conciliadora tanto me ajudou a ir adiante, contornando pendengas e promovendo a paz e o diálogo, como também me condicionou a um caminho confortável e seguro de onde enfrentei o controverso. Mas, ficou evidente que me impediu de avançar. Ela me limitou, me encarcerou a um destino e a uma missão.
Hoje, entendo como é importante enfrentar as pendengas sem disfarces e sem laços conciliatórios. Não é sair na mão a todo instante, mas é impor-se, falar mais alto e promover sua posição dentro do sistema. É óbvio que investir na leveza, e no que não pode me atingir é muito mais prazeroso. Pois é, às vezes é imprescindível sairmos do marasmo, do conforto de uma vida baseada na conciliação. Falar alto e em bom som, impondo-se, contrariando interesses e desejos, correndo riscos. É penoso, mas extremamente necessário.
Muitos por aí vivem às turras em meio aos conflitos e, no entanto, são covardes. Coragem não quer dizer não temer. Quem não teme nada é idiota. O medo é uma defesa de nosso organismo, um dom de Deus que nos protege dentro de limites. O segredo é saber usar o medo e dosá-lo. É saber à hora de deixá-lo de lado para o confronto. Fundamental também, é que a motivação seja justa, coerente e plausível. Caso contraria você, torna-se mais um dos tantos “inhos” que infestam nossas vidas.
Aqui em Valença, enfrento o tempo todo a bizarrice. Faz um tempo me arrisco pelas águas turvas e perigosas da política partidária, o tempo todo nadando em águas repletas de tubarões e piranhas. Tenho sobrevivido, é verdade, mas não sem mutilações e cicatrizes. Agora, mesmo, neste momento tão atípico da atmosfera política valenciana, em que não existe de fato uma situação e uma oposição claramente definidas e que tudo parece nebuloso e incerto, tudo parece ter o mesmo gosto e a mesma forma, tenho recebido dezenas de demonstrações de apoio. Ouço elogios dos mais eloquentes acerca dos meus posicionamentos, da minha fidelidade ideológica, da minha retidão de caráter e por aí vai. Mas, ao mesmo tempo, não vejo nestas pessoas disposição para deixar a tal zona de conforto e se engajar no front. Querem que eu vá à luta sozinho? Querem que eu seja um mártir? Ou querem que eu ocupe uma posição, garantindo uma boa resposta das urnas que engrosse a legenda partidária e garanta o status quo? Ou será simplesmente tudo isto junto? Isto é fugir da briga ou é ponderar sobre o óbvio? Difícil resposta. O fato é que são poucas, muito poucas, as opções descentes para Valença. Dependendo da decisão da Justiça, ficaremos à mercê do imponderável e isto não é bom. Para o legislativo então, nem se fala: um aglomerado de maloqueiros, espertalhões, vigaristas e oportunistas vazios de projetos e de carisma.
Sou um empolgado apaixonado por Valença e seu povo e, talvez por isto, sinta tanta necessidade de continuar lutando, enfrentando moinhos de vento. Só não queria estar sozinho... Dá um tremendo medo de continuar nesta luta. Talvez por isto, tão poucos de bem se aventurem.
O PATO
“Por favor, caramba... volte a bordo agora. Você tem de me garantir que vai retornar. Suba a bordo, a bordo! Agora, agora, a bordo!”.
