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Uma receita de bolo

por Hélio Suzano
Tinha prometido que tão cedo não escreveria sobre os fins e os meios para uma vida feliz. Não deu e estou aqui divagando sobre os mistérios humanos. Esta mania que nós “inteligentes” temos de querer decifrar o indecifrável, revirar o lodo para descobrir peculiaridades e mistérios para uma vida feliz e pujante. Que idiotice.
Logo que nascemos tudo é muito simples e claro. Somos o xodó da mamãe, do papai e da vovó. Brincamos uma infância que parece nunca passar. Aí chega o tempo da escola, uma iniciação à socialização. Você agora não é mais o único, o xodó, o queridinho. Você é parte de um todo e precisa conviver, negar e aceitar numa odisseia de altos e baixos, glórias e frustrações. Para alguns mais e para outros menos, conforme o prisma que se observa.  
A época dos amigos inseparáveis, das brincadeiras inconsequentes e saborosas. Os risos nada contidos e muitas vezes debochados de uma adolescência saudável e feliz. A primeira namorada, quanta insegurança e estresse para conseguir aquele beijo. O namoro acaba e com ele chega à primeira frustração, o primeiro sentimento de derrota e de rejeição. Você se revolta e começa a sair todas as noites, não leva mais a sério ninguém do sexo oposto, na malandragem, na moral de um adolescente livre pra viver a liberdade de seus dezesseis e poucos anos, e vive. Quando vê, já está na faculdade, cheio de inseguranças e de desejos.
Acredito muito no resultado das escolhas. Você faz suas escolhas embasadas em valores, em entendimentos, em ideologias, em momentos. Não importa, você é responsável por suas escolhas e pelo que elas produziram em sua vida. Penso que é o caminho escolhido que vai resultar no destino de sua viagem. Não dá para reclamar ao bispo depois. Os resultados são efeitos diretos ou colaterais de nossas escolhas. E as vitórias e derrotas, felicidades e infelicidades são parte do resultado.
Então, como podemos traçar um mapa para chegar à terceira idade de forma saudável e feliz? Como dá para fazer isso se, no momento de nossas escolhas ainda estamos engatinhando? Como, se no instante destas escolhas estamos, geralmente, mergulhados num emaranhado de questões próprias daquele momento? Reconheço que não dá para detalhar. Talvez o acaso, a estrela, o Espírito Santo, quem sabe? Talvez o equilíbrio, a sobriedade, a humildade, a tolerância e a sensatez possam ajudar nestas escolhas derradeiras.
Precisamos educar nossos filhos em casa, onde os exemplos são os eixos. E eu nesta coluna tenho a responsabilidade de compartilhar com você leitor, minhas inquietações, indagações e pontos de vista, ainda que possa não ser o seu, ou que você não concorde, ou mesmo, que esteja completamente equivocado. É minha obrigação escrever. Até por que, precisamos ser claros e objetivos com nossas opiniões. Precisamos aceitar a diversidade e as diferenças. Aceitar o outro como ele é. Precisamos participar do crescimento de nossos filhos na escola, no grupo de amigos, na faculdade, suas namoradas. Precisamos mostrar que o bonito, o bacana é ter ideal, um foco. Que “se dar bem” é trabalhar no quê você gosta e gostar do que faz e, fazer bem feito. Isto sim deveria ser uma coisa natural de se ver. Respeitar seu corpo, sua dignidade, suas possibilidades, seus limites.
Questões como drogas e orientação sexual deveriam ser corriqueiras em casa, na escola e no bate papo. Não entendo essa coisa de tabu. É puro imediatismo o que vivemos. Até as lutas são imediatistas, sem continuidade e substância. A coisa é simples: somos todos iguais, carne e osso, com nossa dignidade e individualidade. Tantas vezes submetidos a tantos interesses e pressões inconfessáveis.
A vida já é bem difícil sem estes preconceitos e conceitos ridículos.
   
O Pato hetero-afetivo
O Pato não entende essa expressão de “homo afetividade” que a Corte maior do Brasil usou para legalizar a união homossexual. Como se no brejal, as libélulas não se acasalassem, e os zangões não fossem afetivos. Não precisava desse expediente. No Brejal não há preconceito. Cada um no seu cada um, respeitando uns aos outros e acima de tudo, amando-se uns aos outros, independente de cor, opção sexual ou time que torce. Os togados são uns preconceituosos, isso sim.