por Ney Fernandes
2012 – Ano em que estaremos vivendo e participando de uma nova eleição municipal. Boatos não faltam: como nomes de candidatos, que aparecem e somem. Talvez, ainda seja muito cedo para que uma candidatura já comece a ser assumida de fato. Será que ao chegar a hora iremos tomar conhecimento das propostas dos candidatos? Será que elas existirão? Só não vale prometer uma saúde melhor, melhor educação, pois são temas mais do que batidos e falsos, na boca dos candidatos, considerando que o que não falta são verbas (recursos para a saúde e educação). Não sabemos como estas verbas estão sendo aplicadas ou, se estão! Se está ruim, tem de se buscar as causas. Chamar auditores pouco adianta; pois o que chega aqui é um bando de incompetentes ou acomodados (sinal dos tempos). Existe neste processo uma questão que sempre é importante, qual seja: uma discussão permanente com a sociedade o que é de maior importância no processo político eleitoral, pois é o momento principal para que não só as propostas sejam colocadas, como também as questões ideológicas. Por quê? Simplesmente porque é nesta oportunidade que as pessoas estarão prontas para a discussão política. Pensando assim, acredito que só a sociedade organizada será capaz de fazer essas transformações, tão necessárias. O que esperar, então, dos partidos políticos? Podemos acrescentar que mais que o partido, é a “causa” que é importante. Não o partido. O partido é um meio. Relembrando o respeitado intelectual e professor Milton Santos (falecido) quando dizia: “Os partidos políticos estão defasados no tempo. Quem está na frente é o povo mesmo”. E o professor tinha e tem toda razão, simplesmente porque, historicamente, os partidos não conseguiram nem resolver as menores questões que, de perto, afetam todo nosso povo e, principalmente, as questões que são prejudiciais ao nosso país. Vejamos que, vivendo uma realidade, observamos que os partidos políticos são frequentemente o palco de muitas disputas, paixões e enfrentamentos internos. E aí, vemos os partidos se alimentando de sua própria luta interna, e não dos compromissos assumidos; atrasam o processo histórico porque ignoram o cidadão – todos os partidos, os de esquerda também, pois esse “esquecimento” faz parte da própria essência do sistema partidário. E assim, os partidos políticos não têm representado a vontade da nação. Só se mantém como posse privada e gestor dos interesses das elites. O importante é aprofundar mais o estudo de nossas “causas”. Conhecê-las melhor. Precisamos nos empenhar mais na busca de apoio para certas causas e apoiá-las independentemente dos partidos. Partidos são partes! Mas, o sistema republicano não pode prescindir do partido político, é uma questão de democracia. Entendemos, no entanto, que terão de estar, de fato, a serviço do povo, onde as distâncias sociais terão de ser diminuídas, porque haverá de chegar o momento de ser entendido, que o poder do Estado terá de ser dissolvido na comunidade. A população precisa passar a estar informada sobre o funcionamento do Estado, sobre as diversas instâncias de poder (Executivo, Legislativo e Judiciário), nos diversos órgãos públicos, onde, como e quando poderá participar. Assim, poderemos começar a falar numa reforma do Estado, passando de uma concepção de Estado com “violência organizada, autorizada e institucionalizada”, para a concepção de Estado “educador-educando”, dialogando com a sociedade e administrando seus conflitos.